- A Comissão Europeia propõe duplicar as verbas para a Gronelândia no próximo orçamento comunitário (2028-2034) para 530 milhões de euros, face aos 225 milhões atuais.
- No total para os Países e Territórios Ultramarinos, a UE quer duplicar os fundos para 2028-2034, passando de 500 milhões para 999 milhões de euros.
- A Gronelândia fica com 530 milhões de euros; os restantes territórios receberiam 425 milhões e 44 milhões destinam-se a estudos, assistência técnica e uma margem para flexibilidade.
- Os territórios são considerados postos avançados da UE no Ártico, no Caribe e em oceanos, com papel estratégico, rotas comerciais importantes e potencial biodiversidade, energias renováveis e recursos minerais.
- Além dos fundos diretos, a Gronelândia recebeu 94 milhões de euros sob a estratégia Global Gateway e foram criados três grupos de trabalho para intensificar a cooperação UE-região.
A Comissão Europeia propõe duplicar as verbas da Gronelândia para 530 milhões de euros no próximo orçamento comunitário, que cobre 2028 a 2034. A proposta foi apresentada em setembro pelo comissário Josef Síkela, durante uma audição no Parlamento Europeu. A motivação central é fortalecer a parceria com a região em áreas estratégicas.
Segundo Síkela, o montante de 530 milhões para a Gronelândia integra uma distribuição de 530 para a Gronelândia e 425 para os restantes territórios e 44 milhões para estudos e resiliência, num total de 999 milhões de euros para os Países e Territórios Ultramarinos (PTU) da UE. O objetivo é reforçar a cooperação com regiões não ligadas diretamente à UE.
A proposta foi apresentada antes de as declarações de Donald Trump sobre potenciais ações na Gronelândia, que já foram abandonadas, segundo o comissário. A UE mantém o foco na cooperação, com a Gronelândia a ser o maior beneficiário dos fundos dos PTU para o atual período.
Porquê duplicar
A UE alega que estas regiões atuam como postos avançados da UE no Ártico, no Caribe e nos oceanos Atlântico e Índico, com rotas comerciais estratégicas e grande biodiversidade. O financiamento também visa facilitar transições energéticas e o desenvolvimento de energias renováveis.
Síkela destacou ainda a importância de manter padrões ambientais elevados e de compartilhar os lucros com as comunidades locais, mediante um processo de *cocriação* com os habitantes. A participação democrática e a proteção ambiental são prioridade.
A Comissão adianta que, para além dos fundos diretos, a Gronelândia já recebeu 94 milhões de euros sob a estratégia Global Gateway, para educação, competências e transição energética, além de três grupos de trabalho conjunto UE-Gronelândia.
A agência Lusa cita dados da Comissão Europeia que indicam a Gronelândia como o maior beneficiário dos fundos da UE destinados aos PTU no atual ciclo 2021-2027, com 225 milhões de euros já atribuídos.
Entre na conversa da comunidade