- A ONU informou que os homicídios no Haiti aumentaram quase 20% em 2025, num sinal de que o país atravessa uma fase crítica na restauração das instituições democráticas.
- Durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, o chefe da Binuh, Carlos Ruiz Massieu, pediu que as autoridades priorizem o interesse nacional e avancem para eleições ainda este ano.
- A ONU destacou a necessidade de conter a fragmentação política, manter a continuidade institucional e sustentar os esforços de segurança para organizar as eleições até 7 de fevereiro de 2026.
- A Força de Supressão de Gangues, criada pela ONU, tem feito progressos em algumas áreas, com recuperação de territórios e reaberturas de rodovias em Porto Príncipe e Artibonite.
- O Unodc apresentou dados sobre redes de armas e fluxos financeiros ilícitos que alimentam o crime; os Estados Unidos reiteraram sanções e medidas para combater a impunidade.
A ONU alertou para uma fase crítica no Haiti após um aumento de quase 20% nos homicídios em 2025. A organização destacou que o país continua a enfrentar uma grave crise de segurança e a necessidade de restaurar instituições democráticas. O alerta foi feito durante uma reunião do Conselho de Segurança.
O chefe da Binuh, Carlos Ruiz Massieu, reiterou a importância de progressos político e de segurança este ano. Apontou que responsabilidades políticas devem ser assumidas, manter o esforço de segurança e manter o envolvimento internacional coerente com o objetivo de eleições ainda em 2025 ou 2026.
Massieu indicou que a transição democrática terminará a 7 de fevereiro de 2026 e pediu que os atores nacionais reduzam a fragmentação, preservem a continuidade institucional e avancem com a organização das eleições. Enfatizou que o tempo de manobras políticas terminou.
Situação atual e segurança
Em relação à criminalidade, Massieu mencionou que gangs continuam capazes de ataques coordenados e de controlar corredores económicos e áreas agrícolas relevantes, forçando deslocações e pressionando a resposta humanitária. Os homicídios intencionais em 2025 subiram quase 20%.
A ONU informou que o Haiti é um dos países mais pobres da região, enfrentando uma crise social, económica e especialmente de segurança, agravada pela atuação de gangues. Em Porto Príncipe e Artibonite, operações conjugadas têm reaberto redes rodoviárias.
A Força de Supressão de Gangues, criada pela ONU, tem apoiado operações que recuperaram território e interromperam atividades de gangues, com evidentes ganhos de presença estatal no entorno de áreas centrais como o Champ de Mars.
Perspetivas e dados de combate ao crime
John Brandolino, diretor-executivo interino do Unodc, apresentou dados sobre fontes de armas, rotas ilícitas e fluxos financeiros que alimentam o crime. As autoridades destacam uma transformação estrutural na segurança haitiana, com redes criminosas mais organizadas.
Brandolino referiu que grupos que tinham formato de gangues locais evoluíram para redes com liderança definida e objetivos territoriais, dependentes de receitas de extorsão, narcotráfico, armas e munições.
Reação internacional e medidas adicionais
Estados Unidos reiteraram compromisso em combater quem mina a segurança haitiana e financia grupos armados, anunciando sanções financeiras adicionais e restrições de imigração para enfrentar a impunidade. O objetivo é endurecer a resposta a redes criminosas.
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