- O Conselho Nacional de Transição da Guiné-Bissau criticou ingerências externas de Portugal e de Cabo Verde nas questões políticas do país.
- O CNT aponta as deputadas socialistas Elza Pais e Marta Temido como responsáveis por promoverem uma narrativa neocolonial.
- O órgão acusa Portugal de promover uma interferência na normalidade constitucional guineense.
- O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, foi alvo de críticas por considerar grave a nova Constituição que reforça os poderes do Presidente.
- Fernando Vaz, porta-voz do CNT, comparou a situação da Guiné-Bissau ao 25 de abril, dizendo que há uma revisão das leis que trouxe marasmo e instabilidade.
O Conselho Nacional de Transição (CNT) da Guiné-Bissau acusou Portugal e Cabo Verde de ingerências externas nas questões políticas do país. A posição foi expressa esta quarta-feira através de um comunicado divulgado pelo CNT. A organização afirma que há uma tentativa de impor narrativas externas ao processo político guineense, em meio a debates sobre normalidade constitucional.
O CNT criticou declarações de figuras portuguesas, nomeadamente duas deputadas socialistas, que, segundo o organismo, promovem uma narrativa neocolonial ao defenderem um regresso à normalidade constitucional na Guiné-Bissau. A posição envolve ainda a defesa de que as soluções devem emergir do próprio país.
O porta-voz do CNT, Fernando Vaz, dirigiu-se também ao ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, classificando de grave a recente constituição aprovada pelo CNT que reforça os poderes do Presidente. Vaz afirmou que Portugal deve concentrar-se nos seus problemas internos, deixando à Guiné-Bissau a responsabilidade de resolver as suas questões. O porta-voz comparou o que ocorreu na Guiné-Bissau a um golpe de estado, descrevendo o movimento como uma revisão legal de décadas de condução política que, na visão do CNT, contribuiu para a instabilidade do país.
Contexto político e desdobramentos
O CNT destacou que a nova Constituição, aprovada pelo próprio Conselho, amplia os poderes do Presidente da República. A reação internacional a essa mudança tem sido alvo de críticas por parte de certos governos europeus, que enfatizam a necessidade de estabilidade institucional. A Guiné-Bissau permanece em foco devido às suas disputas constitucionais e à perceção de ingerências externas.
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