- Em janeiro de 2026, Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores foram capturados por forças dos EUA na operação “Resolução Absoluta”, destinada a combater o narcotráfico associado ao regime venezuelano.
- O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que já o acusava em 2020, apresenta uma acusação atualizada (superseding indictment) com os mesmos crimes: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína para os EUA e posse de armamento.
- Maduro é apontado como líder do Cartel de los Soles, com ligações a redes colombianas e mexicanas de tráfico e às FARC, organizações consideradas terroristas pelos EUA.
- A acusação envolve ainda a mulher de Maduro e o filho Nicolás Maduro Guerra, alegando uma rede de corrupção e de branqueamento de capitais associada a envio de milhares de toneladas de cocaína para os EUA, com estimativas de entre duzentas e quinhentas toneladas por ano ao longo do tempo.
- Em paralelo, Hugo Carvajal Barrios, ex-diretor da inteligência militar venezuelana, já se declarou culpado (25 de junho de 2025) de cargos de narcoterrorismo e tráfico de drogas; a justiça aponta também para a atuação de Martín Olivares e de outros agentes venezuelanos na facilitação do tráfico e do branqueamento de capitais.
Nicolás Maduro Moros, então presidente da Venezuela, foi detido em 3 de janeiro por forças militares dos Estados Unidos na operação denominada Resolução Absoluta, ordenada pelo então presidente Donald Trump. A ação visou desmantelar o narcotráfico venezuelano e as ligações entre o regime de Caracas e organizações criminosas. Cilia Flores, mulher de Maduro, também é mencionada nos procedimentos.
O Departamento de Justiça dos EUA já havia acusado Maduro, em 2020, juntamente com outros nomes venezuelanos, de crimes como conspiração para narcoterrorismo e para importação de cocaína. Entre os acusados do mesmo caso estavam Diosdado Cabello, Hugo Carvajal Barrios e Clíver Alcalá Cordones. A acusação aponta ligações com cartéis colombianos, mexicanos e até as FARC.
Origens e o enquadramento jurídico
Após comparecer no tribunal do distrito sul de Nova Iorque, Maduro declarou-se inocente diante de um superseding indictment, que substitui uma acusação anterior. A queixa atual mantém os crimes de narcoterrorismo, importação de cocaína e posse de armamento pesado, incluindo metralhadoras e dispositivos destrutivos.
As autoridades descrevem Maduro como líder do Cartel de los Soles, sugerindo nexos com as FARC e com variados grupos criminosos na região. A acusação sustenta que a rede venezuelana enviou milhares de toneladas de cocaína para os EUA e favoreceu a corrupção estatal. Alega-se ainda que houve envolvimento de familiares e de funcionários em esquema de branqueamento de capitais.
Envolvidos próximos e acusações
O processo envolve Cilia Flores e Nicolás Maduro Guerra, apelidado Nicolásito. A denúncia aponta que o grupo estaria ligado a operações de tráfico de droga com eventual cooperação de forças e estruturas estatais, bem como a contratos com organizações criminosas para facilitar rotas norte-americanas.
Entre 2004 e 2015, a acusação sustenta que Maduro utilizou diplomáticos para facilitar a circulação de drogas, além de ter ordenado ações violentas contra opositores. Também é indicado que parte das receitas do tráfico terá sido usada para financiar atividades do regime venezuelano.
Outros casos e desdobramentos
A investigação envolve ainda Hugo Carvajal Barrios, ex-diretor da information militar, que se declarou culpado em junho de 2025. O militar enfrenta pena potencial de vários anos de prisão. A rede ligada ao caso inclui ainda o traficante conhecido como Pluma Blanca, ligado a cartéis colombianos, e outras figuras cuja localização tem sido objeto de procuras internacionais.
Martin Olivares, identificado como operador-chave, é procurado com uma recompensa de até 10 milhões de dólares. Autoridades dos EUA acusam Olivares de facilitar rotas de cocaína pela fronteira venezuelana, além de envolver mecanismos de branquear capitais.
Contexto internacional
As autoridades norte-americanas já indicavam, desde a gestão de Barack Obama, uma ofensiva contínua contra o narcotráfico com ligações à Venezuela. A acusação de 2020 associou Maduro a práticas de corrupção e redes de tráfico que teriam atuado ao longo de quase uma década, com impactos nos EUA e na estabilidade regional.
As informações oficiais dos EUA descrevem um quadro de cooperação entre justice e órgãos de investigação, com o FBI e a DEA a desempenharem papéis-chave na repressão do narcotráfico internacional ligado à Venezuela.
Entre na conversa da comunidade