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Protestos no Irão revelam fraturas profundas, dizem analistas

Protestos no Irão expõem fraturas profundas, com a base tradicional mobilizada, expansão para centros urbanos e descontentamento que desafia a República Islâmica

Azadeh Zamirirad, especialista em temas do Médio Oriente no Instituto de Assuntos Internacionais e Segurança alemão (SWP), destaca a adesão às manifestações de parte da base tradicional de apoio ao regime, nomeadamente os comerciantes do bazar, devido a questões financeiras
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  • Analistas dizem que os protestos no Irão, no início deste mês, diferem de anteriores, expondo fraturas mais profundas na República Islâmica.
  • A adesão inclui parte da base de apoio tradicional, como os comerciantes do bazar, motivados por questões financeiras, formando uma coligação de protesto iniciada nos protestos de Mahsa Amini.
  • Os protestos ampliaram-se a centros urbanos, reunindo pessoas de várias origens religiosas, étnicas e classes económicas.
  • Sanções, ataques militares e apagões prolongados abalaram a confiança na segurança e nas promessas económicas do regime, inclusive entre apoiantes.
  • A oposição permanece fragmentada entre monarquistas, federalistas, nacionalistas e liberais seculares, sem um roteiro comum, o que dificulta uma alternativa coesa.

Protestos no Irão, inicialmente marcados pela anoitecer de janeiro, são descritos por analistas como diferenciados de anteriores ondas de contestação. A manifestação ganhou força com um conjunto de apoios diversos e questiona a estabilidade económica e a confiança na liderança do regime.

Segundo Azadeh Zamirirad, da SWP, houve adesão de parte da base tradicional de apoio, incluindo comerciantes do bazar, motivada por razões financeiras. A especialista destaca uma coligação de protesto formada durante a vaga de Mahsa Amini, reunindo segmentos sociais que habitualmente não protestavam juntos.

Zamirirad observa que os protestos contaram com participantes de várias religiões, etnias e classes económicas, expandindo-se para centros urbanos e não apenas áreas com populações curdas ou baluchis. O evento ocorreu num contexto de sanções, ataques e apagões que abalaram a confiança na segurança e nas promessas económicas do regime.

Sanam Vakil, da Chatham House, aponta que a oposição está fragmentada entre monarquistas, federalistas, nacionalistas e liberais seculares. Embora haja resistência comum à República Islâmica, não existe um roteiro unificado para uma transição de poder, e a liderança para o regresso de uma monarquia permanece sem consenso.

O jornalista Shayan Sardarizadeh, da BBC, acredita que o descontentamento social é significativo e potencialmente insustentável. Para o jornalista, milhões de iranianos desejam afastar-se do regime atual e já não confiam em reformas internas como solução viável.

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