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Mulher associada aos protestos no Irão vive no Canadá e já recebeu ameaças

Refugiada iraniana no Canadá tornou-se rosto dos protestos: imagem de cigarro com foto em chamas do líder supremo viraliza, gerando ameaças de morte

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A mulher do cigarro que simboliza os protestos no Irão está longe de Teerão: é uma refugiada que vive no Canadá e já foi ameaçada
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  • Melika Barahimi, iraniana de 23 anos, refugiada no Canadá, tornou-se rosto dos protestos no Irão após publicar uma foto a acender um cigarro com uma imagem em chamas do líder supremo.
  • A imagem foi registrada num parque de estacionamento perto de Toronto e tornou-se viral nas redes sociais, apesar de Barahimi já ter recebido ameaças de morte.
  • Ela garante que a foto não foi tirada no Irão, comunicando via X (antigo Twitter) que a pretende manter para expor o que se passa e apoiar o povo, sem expor a família.
  • Barahimi já tinha sido presa pela primeira vez aos 17 anos, em novembro de 2019, sob acusação de críticas ao regime; descreve maus-tratos e libertação mediante fiança.
  • Em 2024 foi detida em Isfahan, sem mandado, após comentários no Instagram; ficou dois dias detida e libertada mediante caução elevada, com os pais considerados responsáveis legais, antes de fugir para a Turquia e seguir para o Canadá com estatuto de refugiada.

Melika Barahimi, uma iraniana de 23 anos, vive como refugiada no Canadá e tornou-se a face de um símbolo conhecido dos protestos no Irão. A imagem de um cigarro aceso junto de uma foto em chamas do líder supremo tornou-se viral, apesar de ter sido tirada num parque de estacionamento perto de Toronto, onde reside.

A jovem afirma que publicou a imagem para mostrar solidariedade ao seu povo e denunciar o regime que a condenou a anos de prisão por críticas a Ali Khamenei. Simultaneamente, recebeu ameaças de morte dirigidas à família, conforme explicou à Lusa via chat no X (antigo Twitter).

Contexto e antecedentes

Barahimi foi presa pela primeira vez aos 17 anos, em novembro de 2019, durante o que descreve como um mês sangrento no Irão. Relata ter sido detida com um taser e bastões, esteve uma noite detida sem informações à família e acabou libertada mediante fiança, ainda sob vigilância do regime.

Mais tarde, integrou o movimento pela liberdade de expressão das mulheres e participou num talk show no YouTube, objectivo de contestar o uso obrigatório do hijab. A partir daí, diz ter recebido chamadas anónimas com ameaças de morte.

Em 2024, após a morte do presidente Raisi, a jovem foi detida na sua casa em Isfahan, segundo a sua versão, sem mandado. Alega ter sido interrogada e sujeita a abusos físicos, libertada dois dias depois mediante uma caução elevada; os pais passaram a ser responsabilizados legalmente pela sua libertação.

Fuga e atual situação

Posteriormente, Melika fugiu para a Turquia, onde obteve visto de estudante para o Canadá, onde atualmente vive. Ao chegar, pediu estatuto de refugiada, dado o historial de condenação a prisão no Irão.

Agora, permanece atenta ao desenrolar dos protestos no Irão, que classifica como uma revolução. Mesmo longe de casa, expressa o desejo de ver o Irão governado por regimes que assegurem democracia, liberdade e segurança à população.

Observação: a imagem foi verificada como captada num local fora do Irão, e não representa necessariamente eventos no território iraniano. As autoridades canadenses e as plataformas de redes sociais acompanham o caso, incluindo ameaças que a própria Melika denuncia através da rede social X. Fonte: Lusa.

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