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Algoritmos da OMS podem duplicar diagnósticos de tuberculose em crianças

MSF alerta que algoritmos da OMS para TB em crianças podem quase duplicar quem inicia tratamento, segundo o estudo TACTiC; é necessária vontade política e mais medicamentos

Tuberculose - FOTO: Getty Images
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  • A Médicos Sem Fronteiras (MSF) alerta para falhas no diagnóstico de tuberculose em crianças, dizendo que os algoritmos da Organização Mundial de Saúde (OMS) podem duplicar o número de crianças que iniciam tratamento.
  • A MSF afirma que os algoritmos de decisão de tratamento da OMS permitem começar o tratamento com base em sinais clínicos fortes, mesmo sem confirmação de testes laboratoriais.
  • Em 2024, estima-se que cerca de 1,2 milhão de menor de 15 anos adoeceram com tuberculose; os testes atuais são mais precisos para adultos e dependem de amostras que algumas crianças não conseguem fornecer.
  • O estudo TACTiC, realizado entre agosto de 2023 e outubro de 2025 em Guiné, Níger, Nigéria, Sudão do Sul e Uganda, testou os algoritmos da OMS em 1.846 crianças com menos de 10 anos e identificou a maioria dos casos, além de, em média, duplicar a parcela que pôde iniciar tratamento.
  • Os resultados foram apresentados na Conferência Mundial sobre Saúde Pulmonar (HPP) em Copenhaga, destacando a necessidade de vontade política e de maior disponibilidade de medicamentos para evitar faltas de stock.

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou sobre falhas no diagnóstico de tuberculose em crianças, indicando que os algoritmos de decisão de tratamento recomendados pela OMS podem quase duplicar o número de crianças que iniciam tratamento. O estudo TACTiC, realizado entre 2023 e 2025, executou testes nesses algoritmos em 1.846 crianças com sintomas indicativos de TB pulmonar.

A investigação ocorreu em cinco países: Guiné, Níger, Nigéria, Sudão do Sul e Uganda. Os resultados mostram que a maioria das crianças com TB foi identificada e que, em média, houve uma duplicação na proporção de pacientes infantis que puderam iniciar o tratamento, com impacto direto na sobrevivência.

Resultados e implicações

Segundo a MSF, os algoritmos da OMS permitem iniciar o tratamento mesmo sem resultados laboratoriais positivos, desde que haja fortes indícios clínicos. Esse método contrasta com a prática anterior, que dependia principalmente da tosse para diagnosticar TB em crianças.

A organização salienta que, em 2024, estima-se que 1,2 milhões de crianças e jovens até 15 anos adoeceram com TB, uma doença que, segundo dados da OMS, continua subdiagnosticada. Dados do estudo apontam a necessidade de vontade política e de aumento de disponibilidade de medicamentos para evitar faltas de stock.

A MSF também lembra que muitos países ainda não implementaram diretrizes atualizadas pela OMS em 2022, o que reduz o alcance de diagnóstico e tratamento. A pesquisadora Helena Huerga, responsável pelo TACTiC, afirma que os algoritmos funcionam em contextos reais e podem salvar mais vidas se adotados amplamente, exigindo apenas vontade política para a implementação.

As informações são apresentadas na Conferência Mundial sobre Saúde Pulmonar, em Copenhaga, onde foram enfatizadas as implicações para políticas públicas e financiamento de medicamentos. A MSF solicita que decisores respondam rapidamente para incorporar os algoritmos em protocolos nacionais.

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