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Mais de metade dos alunos de origem imigrante já enfrentou discriminação escolar

Estudo revela discriminação em mais de metade dos alunos com origem imigrante, destacando a necessidade de monitorização e ações de inclusão

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Especialista afirma que número "revela a persistência de comportamentos discriminatórios no contexto escolar"
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  • Mais de cinquenta por cento dos alunos com origem imigrante (55,7 %) já sentiram discriminação na escola, sendo 70,6 % entre os de primeira geração.
  • O estudo foi realizado ao longo de dois anos letivos (2022/2023 e 2023/2024) em nove escolas com elevada percentagem de alunos imigrantes, envolvendo turmas do 9.º ano e mais de 1.400 pessoas.
  • As principais formas de discriminação envolvem, na maioria das situações, apenas alunos (46,6 %); motivações indicadas incluem características e aparência física (30,4 %), cor da pele (24,2 %) e território de origem (19,1 %).
  • Casos envolvendo professores chegam a 35 % e assistentes operacionais correspondem a 10,9 %. Os alunos de origem imigrante de primeira geração sentem-se menos incluídos do que os de segunda geração.
  • O estudo defende monitorização nacional da discriminação, reforço de políticas educativas de acolhimento e inclusão, e destaca que a inclusão depende de fatores relacionais e institucionais, não apenas do desempenho individual.

Um estudo divulgado nesta quarta-feira revela que mais de metade dos alunos com origem imigrante já sentiu discriminação na escola. A investigação envolve turmas do 9.º ano em nove escolas com elevada presença de estudantes imigrantes, em Lisboa, Sintra e Amadora, ao longo de dois anos letivos.

Conduzido pelo Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa, o trabalho analisa a percepção de inclusão e discriminação entre alunos, docentes e funcionários. O estudo agrega dados de mais de 1 400 pessoas, entre alunos, professores, diretores e assistentes operacionais.

O levantamento decorreu nos anos letivos 2022/2023 e 2023/2024, em escolas de três municípios da região de Lisboa. Entre os alunos com progenitores imigrantes, a sensação de inclusão foi menor face aos estudantes com progenitores portugueses.

Contexto

A investigadora Sílvia de Almeida sublinha a persistência de comportamentos discriminatórios no contexto escolar. O estudo é descrito como um dos mais abrangentes sobre a matéria e baseia-se em inquéritos a 935 alunos imigrantes.

A maioria das situações de discriminação denunciadas envolve outros alunos. Em alguns casos, admitem discriminação por motivos não especificados, com destaque para características físicas e origem.

Resultados

Casos envolvendo professores representam 35% do total, e os de assistentes operacionais somam 10,9%. A maior parte das situações ocorre entre pares, com 46,6% das denúncias.

Entre os alunos de primeira geração, 70,6% relatam discriminação, enquanto entre os de segunda geração esse valor baixa para 21%. Os estudantes portugueses com pais portugueses reconhecem maior inclusão, perto de 90%.

O estudo aponta que a inclusão não depende apenas do desempenho escolar, mas de fatores relacionais e institucionais, como participação em atividades extracurriculares e diversidade nas turmas. Ainda assim, alunos imigrantes permanecem sub-representados em clubes e cargos de decisão.

Desenhos e conclusões

Os autores utilizam modelos estatísticos para estimar fatores de pertença. A probabilidade de uma criança declarar-se plenamente incluída aumenta significativamente quando têm naturalidade portuguesa, participam em atividades extracurriculares, assumem responsabilidades e contam com apoio de amigos.

Conclui-se que a escola tem um papel central na construção de trajetórias de sucesso e coesão social. O estudo alerta para a necessidade de respostas estruturais à diversidade cultural crescente.

Políticas educativas mais direcionadas para acolhimento e inclusão foram defendidas pela equipa de investigação, em parceria com a EPIS — Empresários pela Inclusão Social, que apoiou o estudo.

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