- O verão de 2026 reforçou a crise da aviação russa, com atrasos e cancelamentos de voos e aeronaves a operar em condições de crise.
- O presidente Vladimir Putin reconheceu publicamente que o país pode não cumprir as metas de volume de transporte de passageiros e pediu ao Ministério dos Transportes que reveja as previsões para este ano.
- A situação é agravada pela crise de combustíveis, ataques aéreos que afetam infraestrutura, limitações aeroportuárias e escassez de frota, levando a perturbações nos horários e a maior procura por alternativas como comboio ou carro.
- A substituição de importações para a frota civil não está a resultar: produção aeronáutica cresceu, mas sobretudo no setor militar; desde 2022, apenas uma parte dos aparelhos previstos para substituição já foi trocada, aumentando a pressão sobre a frota civil.
- O Estado prepara-se para vender 23,76% das ações da Aeroflot, mantendo o controlo, num contexto de potenciais dificuldades financeiras e perdas de receitas associadas.
A Rússia enfrenta mais um verão marcado por atrasos e cancelamentos na aviação, em plena guerra na Ucrânia. Voos são afetados por problemas de combustível, restrições aeroportuárias e limitações de frota, pressionando o sistema de transportes. As companhias operam sob condições de crise e incerteza.
O presidente Vladimir Putin admitiu publicamente que o país pode não cumprir as metas de transporte de passageiros definidas nos planos nacionais, à luz da evolução das operações militares. Pediu ao Ministério dos Transportes que reveja as projeções para este ano, diante da procura crescente.
A crise energética, agravada por ataques ucranianos, aliada aos temporários encerramentos de espaço aéreo por motivos de segurança, resulta em horários desregulados e atrasos frequentes. Passageiros enfrentam esperas, mudanças de ligação e custos adicionais.
Desafios da frota e importação
A limitação de aeronaves é mais evidente no pico de verão. Sanções desde 2022 obrigam as companhias a operar com o que resta, enquanto a manutenção é difícil de cumprir. Componentes importados sob canais paralelos chegam a custar entre 40% e 100% acima do mercado.
A prática de “canibalização” de aviões também reduz a disponibilidade de frota. Peças são retiradas para manter outras máquinas em serviço, aumentando riscos de operação e fragilizando a confiabilidade.
Substituição de importações em dúvida
Putin afirmou que a Rússia conseguiu substituir integralmente todas as importações, segundo dados do governo. Contudo, a indústria aeronáutica mostra-se fortemente dependente do setor militar, principalmente para drones.
Entre 2022 e 2030-2035, o país planeava substituir quase um terço da frota ocidental. Nos três últimos anos, apenas 13 dos 120 aparelhos previstos foram efetivamente trocados, apontam analistas.
Aeroflot e o fator estatal
A Rosimushchestvo prepara-se para vender 23,76% das ações da Aeroflot, mantendo o controlo público com cerca de 73,8% de participação. Em 2022, o Estado aumentou a participação para 73,8% com subscrição de 52 mil milhões de rublos para enfrentar sanções.
Analistas veem na venda possível sinal de dificuldades financeiras da economia e de esgotamento de recursos. Estima-se que o orçamento federal reduza receita de cerca de 170 milhões de dólares com a operação, face ao preço de mercado atual.
Impacto externo e rotas internacionais
Alterações em trajetos por restrições de espaço aéreo elevam custos e duração dos voos. Após a invasão da Ucrânia, a UE fechou o espaço aéreo às companhias russas, agravando a procura de rotas alternativas.
No verão, as ligações diretas com países estrangeiros diminuem para cerca de 30 destinos, bem abaixo dos níveis do inverno. A lista de países para os quais as russas mantêm autorização é extensa, incluindo Azerbaijão, Armênia, Egito, Índia, Turquemanistão, Turquia e outros.
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