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Zona euro: BCE eleva juros pela 1ª vez em 3 anos, inflação ligada ao Irão

BCE eleva a taxa de depósito para 2,25% pela primeira vez em três anos, num quadro de inflação pressionada pela guerra no Irão e com perspetiva de novo aperto.

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, fala aos jornalistas durante uma conferência de imprensa em Frankfurt, Alemanha, quinta-feira, 30 de abril de 2026
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  • O BCE aumentou a taxa de depósito em 0,25 pontos percentuais, para 2,25%, retomando o aperto monetário, após a reunião desta quinta-feira.
  • A taxa das operações principais de refinanciamento subiu para 2,4% e a taxa da facilidade permanente de cedência de liquidez passou a 2,65%.
  • A inflação da zona euro atinge 3,2% em maio, com os preços da energia a subir 10,9%; a inflação subjacente passou de 2,2% para 2,5%.
  • A economia da zona euro contraiu 0,2% no primeiro trimestre de 2026; o BCE prevê crescimento de 0,9% em 2026 e os mercados já antecipam nova subida em setembro, com cerca de 50% de probabilidade.
  • Economistas e membros do BCE, como Isabel Schnabel, defenderam a subida, apontando para o risco de desancoragem das expectativas de inflação; Philip Lane também validou a deterioração das condições desde março.

O Banco Central Europeu (BCE) subiu as taxas de juro pela primeira vez em quase três anos, em uma decisão motivada pela inflação elevada impulsionada pela guerra no Irão. A taxa da facilidade de depósito passou de 2,00% para 2,25%, após a reunião do conselho de governadores desta quinta-feira. A decisão confirma o retorno ao aperto monetário na zona euro.

Foram também atualizadas as restantes referências da política monetária: a taxa das operações principais de refinanciamento subiu para 2,40% e a taxa da facilidade permanente de cedência de liquidez situou-se em 2,65%. O BCE mantém o objetivo de controlar a inflação, apontando que a inação deixou de ser sustentável.

A inflação na zona euro atingiu 3,2% em maio, o nível mais alto desde setembro de 2023, empurrada pela energia, cujos preços subiram cerca de 10,9%. A inflação subjacente também acelerou, situando-se em 2,5% em maio, o que reacende preocupações sobre pressões inflacionárias persistentes.

Economias da região enfrentam um período de rendimento contido, com a economia da zona euro a contrair 0,2% no primeiro trimestre de 2026. O BCE projeta crescimento do PIB de 0,9% para 2026, revisto em baixa face ao impacto dos preços energéticos elevados.

As famílias e empresas dos 21 países da zona euro devem enfrentar custos de financiamento mais elevados, com impactos nos créditos à habitação e nos empréstimos empresariais, num contexto de pressão sobre o poder de compra. O mercado financeiro atribui cerca de 50% de probabilidade a uma nova subida em setembro.

Economistas destacam a urgência da medida. Isabel Schnabel, da Comissão Executiva do BCE, defendeu a necessidade de subir taxas em junho devido ao risco de desancoragem das expectativas de inflação. O economista-chefe Philip Lane indicou que as previsões de inflação seriam revistas em alta na reunião de junho.

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