- O relatório da Cision indica que quase 1.900 jornalistas de 19 mercados, incluindo Portugal, apontam pressões na credibilidade da informação, sustentabilidade das redações e transformação tecnológica pela IA.
- Metade dos profissionais considera exatidão, verificação de factos e combate à desinformação como principal desafio, enquanto 49% referem escassez de recursos nas redações.
- A necessidade de lidar com o crescimento da IA e o impacto no jornalismo foi assinalada por 43%, e 42% destacam a adaptação aos hábitos de consumo do público.
- A dependência de conteúdos fornecidos por departamentos de comunicação e relações públicas aumenta, com 66% dos jornalistas a recorrerem a RP com frequência para ideias ou investigação.
- Em relação à IA, a adoção cresce (menos jornalistas não utilizam IA, de 33% para 21%), mas 53% opõem-se a gerar propostas ou comunicados de imprensa com IA.
O setor jornalístico enfrenta uma fase de pressão dupla sobre a credibilidade da informação e a sustentabilidade económica, segundo o relatório da Cision intitulado Estado dos Media 2026. A pesquisa contou com 1.899 jornalistas de 19 mercados, incluindo Portugal, e analisa tendências ao longo dos últimos 12 meses.
Metade dos profissionais aponta a exatidão, a verificação de factos e o combate à desinformação como o principal desafio. Quase metade aponta a escassez de recursos nas redações, com o indicador a subir de 29% em 2025 para 49% em 2026. A IA e as mudanças no comportamento do público aparecem como fatores relevantes para o jornalismo moderno.
A Cision destaca ainda que cortes orçamentais e reduzidas equipas obrigam jornalistas a produzir mais conteúdo com menos meios. O estudo indica que 66% recorrem com frequência a conteúdos de profissionais de RP para ideias ou investigação, e 45% utilizam as redes sociais como fonte de informação. Outros meios de comunicação surgem com menos frequência, seguidos de eventos de networking.
Contexto de contacto e distribuição de propostas
A relevância de contactos é destacada: 79% valorizam a adequação ao público, à área de atuação ou à cobertura editorial para considerar uma proposta. Dados ou pesquisas credíveis aparecem em 33% das respostas. Por outro lado, 82% rejeitam propostas por falta de relevância, 53% por excesso de conteúdo promocional e 34% pela ausência de um ângulo editorial claro.
Além do foco principal, 47% também colaboram em sites digitais, 35% produzem conteúdos para canais dos meios onde trabalham, 29% para canais pessoais, 23% para newsletters e 22% para podcasts. A divulgação de conteúdo nas redes sociais é prática comum para 54% dos jornalistas.
Adoção de IA e efeitos no trabalho
Quanto à IA, houve aumento na utilização: menos 21% não utilizam estas ferramentas em 2026, frente a 33% em 2025. No entanto, 53% manifestam oposição à IA para gerar propostas ou comunicados, com motivos ligados à qualidade, automatização excessiva, spam e falta de personalização.
O relatório aponta ainda que 43% dos profissionais sinalizam a necessidade de lidar com o crescimento da IA e o seu impacto no jornalismo, enquanto 42% referem adaptações aos comportamentos e hábitos do público. A generalidade dos jornalistas destaca a importância de manter rigor e personalização na cobertura, mesmo na era de automação.
Conclusão de enquadramento setorial
Em síntese, o estudo evidencia que a credibilidade informativa, a sustentabilidade financeira das redações e a transformação tecnológica são, na prática, as três linhas orientadoras do sector. As organizações de comunicação enfrentam o desafio de equilibrar a qualidade com a gestão de recursos e a integração de novas tecnologias.
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