- A Anthropic anunciou investir 200 milhões de dólares (173 milhões de euros) em investigação sobre os impactos da IA no emprego, através do Economic Futures Research Fund.
- A empresa vai ainda lançar um programa de bolsas de 150 milhões de dólares (130 milhões de euros) para apoiar profissionais em início de carreira e levar os benefícios da IA a comunidades nos Estados Unidos.
- O CEO Dario Amodei afirma que a IA pode perturbar o mercado de trabalho de forma mais profunda do que mudanças tecnológicas anteriores e sugere que impostos sobre as empresas de IA poderiam financiar um rendimento básico universal.
- A Anthropic apresenta um plano faseado para lidar com desemprego de 5 por cento, 10 por cento ou um nível sem precedentes, incluindo rendimento básico universal, fundos soberanos e partilha de capital.
- A empresa recomenda que governos possam bloquear ou dissuadir modelos de IA de alto risco, defendendo supervisão semelhante à da aviação com testes e auditorias pré-lançamento.
A Anthropic, criadora do modelo Claude, anunciou um plano para financiar investigação sobre os impactos da IA no emprego e na economia. Em fase inicial, vai investir 200 milhões de dólares (173 milhões de euros) no chamado Economic Futures Research Fund, para apoiar estudos e avaliações de políticas públicas.
A empresa também lançou um programa de bolsas de 150 milhões de dólares (130 milhões de euros) para ajudar profissionais em início de carreira a levar os benefícios da IA a comunidades em todos os estados dos EUA.
O objetivo é analisar como a IA pode perturbar o mercado de trabalho e de que forma os governos podem responder de forma a distribuir melhor os ganhos.
Plano faseado para lidar com o desemprego e repartir os ganhos da IA
No documento público, a Anthropic identifica três cenários de perturbação: desemprego de 5 %, 10 % ou um nível sem precedentes. A taxa de desemprego mais recente nos EUA situou-se em 4,3 %.
Para os cenários mais graves, a empresa recomenda apoios permanentes, incluindo rendimento básico universal, fundos soberanos e esquemas de partilha de capital.
O CEO Dario Amodei sustenta que o financiamento de um rendimento básico universal poderia provir de impostos sobre as empresas relevantes ou de impostos sobre mais-valias.
Recorte político e supervisão da IA
A Anthropic defende que os governos podem bloquear ou impedir modelos com risco catastrófico significativo. O documento propõe uma supervisão rigorosa, com testes e auditorias antes do lançamento de novos sistemas de IA.
A iniciativa surge dias depois de a OpenAI anunciar que os ganhos da IA devem ser amplamente partilhados.
O CEO Amodei indica que a partilha de ganhos não deve depender apenas de crescimento económico, mas de políticas públicas que assegurem benefício generalizado.
Observadores e contexto
O CEO da empresa já discutiu com o senador Bernie Sanders a ideia de atribuir participações em empresas de IA através de um fundo público de riqueza. Entidades do setor também sinalizam para mecanismos de partilha de valor com o público.
A Administração norte-americana declarou que pretende abordar formas de retribuição ao público com a participação de investidores do setor.
Entre empresários, há quem considere a IA como ferramenta de transformação estrutural, exigindo regras claras e transparentes.
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