- A União Europeia precisa de soluções duradouras para os fertilizantes para evitar escassez de alimentos, segundo o comissário europeu da Agricultura e Alimentação, Christophe Hansen.
- O aviso surge num contexto de subida de preços dos fertilizantes devido ao conflito no Médio Oriente, com a Comissão a apresentar o Plano de Ação para os Fertilizantes para apoiar os agricultores.
- O plano prevê mais de 500 milhões de euros para apoio imediato aos agricultores, sendo 200 milhões de euros provenientes da reserva de crise da Política Agrícola Comum e 300 milhões de euros adicionais.
- O montante pode ser reforçado pelos Estados-Membros em até 200%, elevando o total potencial para cerca de 1,5 mil milhões de euros, conforme possível.
- Hansen sublinha a necessidade de aumentar a produção interna, promover fertilizantes orgânicos, reciclar nutrientes e investir em agricultura de precisão, bem como fortalecer parcerias internacionais devido à dependência de importações.
A União Europeia precisa de soluções duradouras para o abastecimento de fertilizantes, afirmou o comissário europeu para a Agricultura e Alimentação, Christophe Hansen, em entrevista à Euronews. Segundo Hansen, sem respostas estruturais, a UE corre o risco de enfrentar escassez de alimentos. O alerta surge num contexto de subida de preços dos fertilizantes, provocado pelo conflito no Médio Oriente.
A Comissão Europeia apresentou, em maio, um Plano de Ação para os Fertilizantes, com medidas de apoio financeiro para os agricultores. Hansen indicou que, para além do alívio imediato, é essencial enfrentar fragilidades estruturais da cadeia de abastecimento na Europa, para tornar os fertilizantes acessíveis e estáveis do ponto de vista económico.
O plano prevê mais de 500 milhões de euros para apoio imediato. Destes, 200 milhões virão da reserva de crise da Política Agrícola Comum e 300 milhões adicionais. O valor pode ainda ser reforçado pelos Estados‑Membros, até um total potencial de 1,5 mil milhões de euros.
Hansen destacou que a atual escassez resulta da dependência europeia de energia e de importações de fertilizantes. A produção de azotados depende quase totalmente do gás natural, e entre 40% e 45% dos fertilizantes usados são importados de terceiros. Esta dependência expõe agricultores a oscilações de mercado e a choques geopolíticos.
Para enfrentar o problema, a Comissão pretende estimular fertilizantes orgânicos, melhorar a reciclagem de nutrientes e promover a agricultura de precisão, reduzindo a necessidade de matérias-primas importadas. O comissário sublinhou ainda a importância de parcerias internacionais estáveis, sobretudo ante matérias-primas não disponíveis na Europa.
A intervenção ocorre numa altura em que outros fatores externos, como tensões geopolíticas, elevam os custos de fertilizantes. Hansen lembrou que a crise já se estende há anos, com aumentos significativos de preços entre 2020 e 2024, alimentados pela crise energética provocada pela invasão da Ucrânia.
O comissário também mencionou que a situação requer respostas coordenadas a nível global, destacando a reunião de ministros da Agricultura do G7 para discutir a escalada dos custos. A meta europeia é criar um ciclo de produção e abastecimento mais estável a médio e longo prazo, reduzindo a dependência de importações externas.
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