- Estudo do Banco de Portugal aponta que, no final de 2025, o número de intermediários de crédito chegou a 4.835, com cerca de 51% do crédito aos consumidores e 56% do crédito à habitação intermediados.
- Enquanto a rede de agências bancárias diminui, a de intermediários de crédito cresce, sugerindo uma possível relação entre as duas tendências.
- O crédito pessoal contratado via intermediários fica, em média, mais caro do que o contratado diretamente nas instituições financeiras.
- Há uma correlação negativa entre a variação anual no número de agências e a variação anual de estabelecimentos de intermediários ao nível do concelho (valor próximo de -0,14).
- Os intermediários estão distribuídos pelo país, com maior concentração no litoral Norte e Centro; a maioria é pessoa coletiva, e 61% de intermediários a título acessório tem atividade principal ligada ao comércio de veículos automóveis.
O Banco de Portugal aponta que, em zonas com rede bancária mais esparsa, é ligeiramente mais provável que um consumidor recorra a intermediários de crédito (IC) para contratar um novo crédito pessoal. O estudo usa dados a finais de 2025 para ligar o crescimento dos IC à redução de agências bancárias.
Os IC cresceram expressivamente, totalizando 4835 entidades, e meio século do crédito aos consumidores passa pelos IC (cerca de 51%). No crédito à habitação, o peso é de 56%. A análise integra o Boletim Económico de Junho, na rubrica Políticas em Análise.
A investigação sugere que o maior número de IC pode diminuir a necessidade de agências físicas, o que pode levar bancos a reduzir custos. Contudo, conclui também que o crédito pessoal contratado via IC tende a ter custos mais elevados.
Subiu o número de IC em zonas urbanas, embora a distribuição, a nível concelhio, mostre uma concentração no litoral Norte e Centro. O texto indica ainda que, em termos nacionais, os IC estão espalhados e facilitam o acesso ao crédito em áreas menos densas.
Elementos dos intermediários
Quase 88% dos IC autorizados pelo BdP são pessoas coletivas, com a maioria registada como intermediários a título acessório (76,5%). Outros 23,4% são vinculados a uma ou mais instituições financeiras, e apenas 0,1% são não vinculados aos clientes.
Estrutura de vínculo
Entre os IC a título acessório, cada entidade está, em média, vinculada a três instituições financeiras. Já os intermediários vinculados trabalham com cerca de oito entidades.
Setores de atividade
No final de 2025, 61% dos IC a título acessório eram, por natureza, comércio a retalho de veículos, motociclos e acessórios. Outros atuavam em atividades relacionadas com veículos ou com outros setores do comércio, incluindo serviços de saúde. A maioria dos IC tem também registo de atividades financeiras como atividade secundária.
Distribuição de estabelecimentos
Cerca de 90% dos IC tinham apenas um estabelecimento físico. Existem, no entanto, IC com vários pontos de venda, especialmente quando a atividade principal é a venda de produtos ou serviços.
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