- A União Europeia avisa que até 1,3 milhões de empregos estão em risco devido à guerra no Médio Oriente, sobretudo nas indústrias intensivas em energia.
- A previsão foi feita pela comissária para o Emprego, Roxana Mînzatu, durante a apresentação do Pacote do Semestre da Primavera de 2026.
- O aumento dos custos de energia pode afetar mais os rendimentos mais baixos, levando autoridades nacionais a adotarem medidas de apoio aos grupos mais vulneráveis.
- O conflito já tem impactos na economia europeia, com subida de preços da energia, desaceleração do crescimento e pressão na inflação; há variações entre Estados‑membros que afetam a competitividade.
- O pacote prioriza emprego, educação e competências em setores estratégicos (cibersegurança, computação quântica, inteligência artificial e semicondutores) e aponta que 77% das empresas vêem a falta de competências como obstáculo ao investimento.
Ontem, a Comissão Europeia alertou que até 1,3 milhões de postos de trabalho na União Europeia estão em risco devido à guerra no Médio Oriente. A informação foi apresentada pela comissária para o Emprego, Roxana Mînzatu, durante a divulgação do Pacote do Semestre da Primavera de 2026. O anúncio ocorreu em Bruxelas, no âmbito das prioridades económicas da UE.
Segundo a comissária, o risco é mais elevado nas indústrias intensivas em energia, que enfrentam custos mais elevados. A responsável sublinhou que o aumento dos preços da energia pode afetar especialmente os agregados com rendimentos mais baixos, apelando a medidas de apoio aos grupos vulneráveis.
A comissária explicou que a avaliação forma parte de previsões económicas que indicam uma desaceleração do crescimento europeu e uma pressão inflacionária decorrentes do conflito. A Comissão nota ainda que há variações significativas entre os Estados-membros, o que pode comprometer a competitividade da UE.
Principais prioridades
O Pacote do Semestre dedica-se, sobretudo, a emprego de qualidade e à resolução de carências de mão de obra qualificada em setores estratégicos. Melhorar a formação e alinhar competências com as necessidades do mercado são prioridades centrais, especialmente em áreas como cibersegurança, computação quântica, IA e semicondutores.
Na conferência, Mînzatu indicou que 77% das empresas europeias veem a falta de competências como entrave ao investimento. A comissária citou más condições de trabalho como principal fator das carências, defendendo medidas para atrair talento e melhorar rendimentos.
Impulso competitivo
A presidente Ursula von der Leyen tem vindo a posicionar a competitividade como prioridade, em meio a incertezas geopolíticas. O pacote atual visa reduzir barreiras no mercado único, favorecer o investimento e reduzir dependências estratégicas, particularmente face a China e aos EUA.
A Comissão incentiva os Estados-membros a fortalecerem políticas industriais, ampliarem o investimento em mercados de capitais e simplificarem encargos administrativos. O objetivo é acelerar reformas económicas na UE, dependendo da ação coordenada dos países.
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