- A OCDE reduziu a previsão de crescimento de Portugal este ano de 2,2% para 1,8%, deixando o Governo isolado na projeção de 2% do PIB.
- Todas as outras grandes instituições colocam o crescimento abaixo de 2% para 2026 e 2027, com o Conselho de Finanças Públicas a estimar 1,6% para este ano.
- Em 2026, a OCDE, a Comissão Europeia e o Banco de Portugal apontam crescimento entre 1,7% e 1,8%, com o FMI a prever 1,9%.
- A OCDE aponta dois cenários para o impacto do conflito no Médio Oriente: uma duração limitada, com desaceleração global de 3,4% para 2,8% este ano, e uma prolongada, com desaceleração maior.
- Para mitigar a desaceleração, a OCDE recomenda apoio orçamental dirigido aos mais necessitados e temporário, mantendo a prudência de dívida e estímulos à poupança de energia.
A OCDE reviu em baixa as previsões para a economia de Portugal este ano, com impacto direto no Governo. A organização reduziu o crescimento estimado para 1,8% e manteve o alerta sobre a fragilidade macroeconómica, após o agravamento do conflito no Médio Oriente. O Governo de Luís Montenegro continua a apostar num crescimento de 2%.
Esta revisão coloca Portugal entre as economias com menor dinamismo entre os seus pares, frente a dezembro passado. Em termos comparativos, apenas governos e instituições que acompanham o desempenho esperam números abaixo de 2% para 2026, com o CFP a apontar 1,6%.
Cenários e impactos
Para 2025, o PIB nacional cresceu 1,9%. A OCDE antecipa que o próximo ano manterá o abrandamento, com um crescimento de 1,7% em 2027. A Comissão Europeia projeta 1,7% para 2026, o Banco de Portugal 1,8% e o FMI 1,9%.
A OCDE explica que a desaceleração está associada a uma crise energética global resultante do conflito, que eleva a inflação e reduz o investimento. O secretário-geral Mathias Cormann sublinha que o cenário depende do prolongamento da crise, com impactos maiores se o conflito se estender.
Medidas e contas públicas
A OCDE recomenda apoio orçamental temporário e focalizado nos mais necessitados para mitigar o choque sem aumentar a dívida pública. O objetivo é manter incentivos à poupança de energia e evitar estímulos permanentes.
Pelos contornos orçamentais, a OCDE prevê um saldo nulo para 2026 e um défice de 0,1% para 2027. O documento destaca que, para atenuar a desaceleração, Portugal pode recorrer a medidas transitórias de resposta a preços de energia e a apoios às populações afetadas pelas tempestades de início de 2026.
Contexto internacional
Globalmente, a OCDE aponta dois cenários: uma recuperação fraca com a duração curta da crise e um agravamento se o conflito se prolongar. No cenário de duração limitada, o crescimento mundial cai de 3,4% para 2,8% este ano; em 2027 pode registar 3,1%. Se for prolongado, o mundo pode passar de 3,4% para 2,1% este ano, com recuperação em 2027 para 1,8%.
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