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Zona euro: BCE sobe juros enquanto inflação persiste nas quatro maiores

Inflação nas quatro maiores economias da UE acelera, energia eleva preços e aumenta a expectativa de subida de taxas pelo BCE na reunião de junho

Christine Lagarde, presidente do BCE, olha para os óculos durante conferência de imprensa após reunião do conselho de governadores, em Frankfurt, Alemanha, 30 de abril de 2026
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  • A inflação harmonizada da UE (IHPC) subiu 2,8% em maio, impulsionada pela energia, alimentando expectativas de subida de taxas do BCE na reunião de junho.
  • França registou inflação no nível mais alto em mais de um ano, com aumento generalizado nos preços.
  • Itália teve IHPC a 3,3% em maio, com aceleração na inflação de bens e serviços e subida da inflação subjacente.
  • Espanha apontou IHPC de 3,6% em maio, com os transportes como principal motor do índice.
  • Alemanha apresentou um abrandamento da inflação para 2,6% em maio, mas a inflação subjacente subiu para 2,5%, mantendo pressão no BCE para agir de forma contida.

A inflação nas maiores economias da UE acelerou em maio, impulsionada pela energia, alimentando expectativas de subida das taxas do BCE na reunião de junho. Os dados preliminares sugerem pressão contínua nos preços mesmo com custos energéticos elevados a recuarem no mês.

Na zona euro, a inflação harmonizada (IHPC) atingiu 2,8% em termos homólogos, avançando de abril. Em cadeia, os preços aumentaram 0,1%, aponta o INSEE, refletindo menor energia no mês, mas ainda acima do há um ano.

Na comparação entre países, Itália registou 3,3% (IHPC) em maio, frente a 3,2% previsto e 2,8% em abril. Madeira por bens acelerou para 3,5% e serviços para 2,8%, com a inflação subjacente a subir para 1,8%.

Em Espanha, a IHPC preliminar situou-se em 3,6% (- apenas ligeira variação face a abril). O transporte foi apontado como motor, com custos de combustível acima de maios de 12 meses.

Alemanha marcou o único alívio entre as quatro maiores economias, com IHPC de 2,6% em maio, abaixo de abril e das expetativas. A inflação subjacente subiu para 2,5%, sinalizando pressão que persiste em áreas sem energia.

BCE e a leitura de junho

O cenário chega a poucos dias da reunião do BCE (11 de junho). Os mercados já precizam um aumento de 25 pontos base, com possibilidade de mais subidas até setembro.

O BCE sinalizou que um crescimento mais fraco e choques energéticos persistentes podem afetar as finanças públicas e os mercados de dívida soberana, reforçando a necessidade de calibração da política monetária.

Entre os membros, a leitura de que a inflação de curto prazo pode subir contrasta com o consenso de estabilidade de longo prazo, ainda próximo de 2%. A evolução dos dados até setembro será determinante para o ritmo de futuras subidas.

Para o BCE, a tarefa é reduzir o desfasamento entre as expectativas de inflação a curto e longo prazo, mantendo o rumo sem definir antecipadamente o número de aumentos. A inflação de um ano subiu para 4% segundo inquérito ao consumidor, enquanto as expectativas de longo prazo permaneceram estáveis em torno de 2,4%.

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