- Os salários em atraso na Rússia ultrapassaram dois mil milhões de rublos, devido à guerra na Ucrânia, segundo a Rosstat.
- Em dezembro de 2025, cerca de 14.700 russos não receberam vencimentos a tempo, mais 6.500 face a 2024.
- O montante em atraso atingiu 1.134 milhões de rublos (cerca de 13 milhões de euros), o valor mais alto desde 2016.
- 87% dos atrasos devem-se à falta de recursos de empregadores privados; 13% a empresas estatais, por défice orçamental regional.
- Moscovo perdoou dívidas orçamentais de 68 das 89 regiões, totalizando 440 mil milhões de rublos para 2024-2025; Iacútia (Saba) suspendeu pagamentos a combatentes no final de 2025.
Os salários em atraso na Rússia duplicaram nos últimos anos, agravados pela guerra na Ucrânia. Em 2025, ultrapassaram dois mil milhões de rublos, segundo a Rosstat, o organismo estatal de estatísticas.
Em dezembro de 2025, 14.700 trabalhadores russos não receberam vencimento atempadamente, um aumento de 6.500 face a dezembro de 2024, indica o relatório da Rosstat citado pela EFE.
O valor em atraso atingiu 1.134 milhões de rublos (cerca de 13 milhões de euros), o nível mais elevado desde 2016, representando um aumento anual de 127% e recorde de 20 anos.
87% dos atrasos devem-se à falta de recursos de empregadores privados; os 13% restantes correspondem a empresas estatais, associadas ao défice orçamental regional, aponta a Rosstat.
Medidas e contexto
Moscovo perdoou dívidas orçamentais de 68 das 89 regiões, no total de 440 mil milhões de rublos (5,3 mil milhões de euros) referentes a 2024-2025, conforme o ministro das Finanças, Anton Siluanov.
Os orçamentos russos continuam deficitários no quinto ano de conflito na Ucrânia, que começou em fevereiro de 2022 sob ordem de Vladimir Putin.
No fim de 2025, a região de Iacútia (Saba) tornou-se a primeira a suspender pagamentos a combatentes, devido a rutura de fundos, segundo dados da Rosstat.
Metade das regiões já regista salários em atraso, com destaque para Krasnodar, Cacássia, Nijni Novgorod, Tver e Vologda, reporta ainda a Rosstat.
Especialistas citados pela imprensa apontam que dívidas crescem com a desaceleração económica e com as altas taxas de juro do Banco Central da Rússia, que limitam créditos de tesouraria.
A legislação prevê sanções administrativas, multas e processos criminais contra administradores morosos, podendo haver penas de até cinco anos de prisão.
Apesar disso, situações de atraso persistem, inclusive na bacia mineira de Kuzbass, onde uma empresa do carvão acumula mais de 256 milhões de rublos em dívidas aos trabalhadores.
Contexto internacional
A União Europeia, os EUA e aliados da Ucrânia impõem sanções contínuas a empresas e ao Estado russo para limitar o financiamento do esforço de guerra.
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