- O PIB brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, com destaque para agropecuária e consumo das famílias.
- Pela produção, a agropecuária avançou 2%, acima de indústria (1%) e serviços (0,5%).
- O consumo das famílias subiu 1% no trimestre, a maior taxa em seis trimestres, e os investimentos produtivos avançaram 3,5%.
- O impulso veio da safra de grãos, principalmente soja, cuja influência tende a reduzir no resto de 2026.
- Analistas apontam ritmo menor ao longo do ano; projeções de mercado para 2026 variam, entre 1,89% (Focus) e 2,3% (governo), com juros ainda elevados.
O PIB brasileiro acelerou no 1º trimestre de 2026, com crescimento de 1,1% frente aos três meses anteriores, segundo dados do IBGE. A agropecuária teve destaque, com impulso do consumo das famílias, que avançou 1,0%. O resultado supera a estabilidade dos trimestres anteriores.
Entre os setores, a agropecuária cresceu 2,0%, acima da indústria (1,0%) e dos serviços (0,5%). A contribuição da safra de grãos, especialmente soja, é apontada pelo IBGE como o principal motor inicial do ano, com efeito que tende a reduzir ao longo de 2026.
A extrativa mineral mostrou alta de 3,6%, elevando o desempenho agregado da indústria, enquanto serviços avançaram 0,8%, puxados por atividades como serviços pessoais, alimentação, alojamento, saúde e educação privadas.
No lado da demanda, o consumo das famílias elevou-se 1,0%, a maior taxa em seis trimestres, fortalecendo o lado da despesa do PIB que representa cerca de 65% da demanda interna. Investimentos produtivos cresceram 3,5%, recuperando parte das quedas de 2025.
Perspetivas para 2026
Analistas indicam que o ritmo do PIB deve moderar-se após o 1º trimestre, com menos contribuição da safra e juros ainda elevados. A taxa Selic, que começou 2026 em 15% ao ano, tem projeções de queda gradual, porém sujeita a riscos inflacionários ligados à situação externa.
O mercado de trabalho mostrou força no início do ano, mas especialistas alertam para incertezas ligadas à inflação e a fatores externos, como a volatilidade dos preços de petróleo decorrente de conflitos internacionais. O governo manteve estímulos fiscais.
A mediana das projeções aponta crescimento próximo de 1,9% para o acumulado de 2026, segundo o Focus do BC, com estimativas divergentes entre setores e possíveis impactos eleitorais sobre a política monetária. O Ministério da Fazenda anuncia revisões conforme o cenário evolui.
A divulgação do PIB marca a estreia de uma nova equipe do IBGE no cálculo das contas nacionais, após a substituição de uma coordenadora e substituições internas no departamento. A mudança gerou ajustes institucionais, sem impacto aparente nos números do trimestre.
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