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Saturação estrutural do Aeroporto de Lisboa é a principal causa das filas

Especialistas apontam saturação estrutural e picos de voos como causas das filas no controlo de fronteiras em Lisboa, com risco reputacional para o turismo

Passageiros que chegam ao aeroporto de Lisboa têm enfrentado longas filas para passar o controlo de fronteiras
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  • Especialistas apontam saturação estrutural do aeroporto de Lisboa, concentração de voos em certos horários e preparação inadequada para o novo Sistema Europeu de controlo de fronteiras (EES) como principais causas das longas filas no controlo; Bruxelas afirma que o EES não é a origem, mas aumenta a pressão numa infraestrutura já limitada.
  • Argumentam que os problemas não se devem apenas ao EES; é necessário avaliar impacto por aeroporto e adaptar prazos às capacidades reais das infraestruturas.
  • Os constrangimentos estendem-se a corredores, zonas comerciais e restauração, com Lisboa a ver maior pressão por ter elevado tráfego de passageiros não Schengen.
  • A organização operacional, o pico de chegadas e a falta de preparação para o EES contribuem para tempos de espera mais elevados; obras em Lisboa podem dificultar a operação a curto prazo.
  • Turismo e hotelaria alertam para dano reputacional, com potenciais impactos em mercados não Schengen e em reservas futuras, mesmo que não haja quedas imediatas.

A saturação estrutural do aeroporto de Lisboa é apontada como a principal razão para as filas no controlo de fronteiras, segundo especialistas ouvidos pela Lusa. Concentração de voos em horários-chave e o novo sistema EES são fatores considerados relevantes, mesmo com dúvidas sobre a gravidade exata das causas.

Analistas destacam que o aeroporto opera já com margens físicas limitadas. A gestão de fluxos de passageiros não-Schengen, aliada a constrangimentos tecnológicos e à preparação operacional, agrava a pressão sobre instalações, corredores e zonas comerciais.

A ausência de uma preparação adequada para o EES também é citada. A UE reconheceu a necessidade de adaptação, mas muitos especialistas dizem que os picos de afluência ultrapassam a capacidade de resposta atual em Lisboa, especialmente em horários de maior procura turística.

Para Rui Quadros, ex-diretor de companhias, a culpa não é só do EES; é preciso adaptar avaliações de capacidade por aeroporto. O professor da Atlântica aponta que a saturação é estrutural e já afeta várias áreas do aeroporto, não apenas o controlo fronteiriço.

Pedro Castro, da SkyExpert, explica que o volume de passageiros não-Schengen e a organização da operação influenciam fortemente os tempos de espera. Em Lisboa, a coincidência de vários voos a chegar de várias rotas gera pressão nos picos de tráfego.

As obras em curso no aeroporto são vistas como fatores que podem piorar a curto prazo, sem resolver a questão de fundo. Especialistas sugerem que intervenções temporárias não mitigam a saturação estrutural nem a necessidade de planeamento adaptado.

A 23 de abril, o primeiro-ministro indicou a possibilidade de suspender o EES em horas críticas para não penalizar a economia portuguesa. O objetivo é evitar impactos significativos no turismo e na atividade económica.

Impacto no turismo

Operadores turísticos manifestam preocupação com danos reputacionais. A APAVT antevê efeitos nos mercados não Schengen, com perda de confiança e experiência negativa de passageiros. A ANAV alerta para efeitos na percepção do destino.

A hotelaria partilha do receio, embora ainda sem quebras formais nas reservas. AHP afirma que a chegada é o primeiro contacto com Portugal e filas extensas poderão afetar a experiência turística, sobretudo nas redes sociais.

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