- SpaceX prepara uma entrada na bolsa com possível captação de cerca de 75 mil milhões de dólares, um marco histórico.
- O prospeto indica perdas operacionais de 2,6 mil milhões de dólares em 2023, com receitas de 18,7 mil milhões, e perdas no início deste ano.
- O dinheiro deverá financiar missões para a Lua e Marte, como parte da estratégia de tornar a humanidade interplanetária.
- A Starlink foi a principal fonte de liquidez, com 4,4 mil milhões de dólares em resultado operacional, enquanto X (antigo Twitter) e a xAI registaram perdas.
- Musk manterá controlo significativo via ações de uma classe especial com 10 votos por ação; o roadshow pode começar 15 dias após a divulgação do prospeto.
SpaceX revelou planos para lançar uma oferta pública de venda de ações que poderá ficar entre as maiores de sempre, com valores estimados em cerca de 75 mil milhões de dólares. A empresa de Elon Musk pretende financiar missões à Lua e a Marte, apesar de registar prejuízos. O anúncio foi feito através de um prospeto apresentado às autoridades reguladoras.
No documento, a SpaceX indica perdas operacionais de 2,6 mil milhões de dólares no ano anterior, sobre receitas de 18,7 mil milhões. As perdas seguiram para o começo deste ano, sem indicar o montante atual. A empresa não divulga o objetivo financeiro exacto da operação, mas várias notícias apontam para o montante citado.
A SpaceX, oficialmente Space Exploration Technologies Corp., afirma que o dinheiro arrecadado ajudará a prosseguir projetos de exploração espacial com foco na presença humana contínua na Lua e em Marte. O objetivo é tornar a humanidade uma espécie interplanetária para evitar riscos de extinção.
O prospeto descreve ainda uma componente de remuneração de Musk que só é alcançada mediante metas ambiciosas, incluindo uma potencial colónia permanente em Marte com um milhão de habitantes. A empresa refere que parte da remuneração dependerá da evolução do preço de mercado das ações.
A Starlink surge como a unidade mais lucrativa da SpaceX, com resultado operacional de 4,4 mil milhões de dólares no ano passado, proveniente de uma rede de satélites que oferece internet a 10 milhões de utilizadores em 150 países. Os serviços representam uma parte sólida da liquidez da empresa.
Entre os negócios que enfrentam maiores dificuldades estão X, a rede social anteriormente conhecida como Twitter, e xAI, a empresa de inteligência artificial. O prospeto aponta perdas operacionais de 6,4 mil milhões de dólares em IA no ano passado, contribuindo para a volatilidade financeira do grupo.
Há dúvidas sobre o impacto de contratos governamentais, já que a SpaceX recebeu acordos no valor de cerca de 6 mil milhões de dólares nos últimos cinco anos de NASA, Defesa e outras agências. O documento assinala que cerca de 20% das receitas de 2023 derivaram do governo federal.
A relação de Musk com a política também é mencionada, dado o seu papel financeiro próximo de figuras públicas, incluindo o apoio a campanhas de Trump. O prospeto não analisa impactos políticos diretos, limitando-se a apresentar factos históricos relevantes para investidores.
A remuneração de Musk inclui várias peças de ações distribuídas em 15 tranches, cada uma com cerca de 67 milhões de títulos, disponíveis apenas quando forem atingidos patamares de capitalização bolsista. Entre as condições, há a meta da colónia de Marte e o crescimento da valorização de mercado para 7,5 mil milhões de dólares.
Além disso, o documento prevê atribuições condicionadas a serviços de centros de dados gigantescos no espaço, cujas especificações são detalhadas no texto. A estrutura obriga Musk a manter controlo significativo sobre a SpaceX, através de classes de ações com maior poder de voto para certos acionistas.
A proposta de oferta poderá começar a ser apresentada a investidores num processo de roadshow 15 dias após a divulgação pública do prospeto, marcando o início formal da operação. A data de início apontada é 4 de junho, conforme o cronograma apresentado.
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