- Pilotos alertam para risco de instabilidade laboral na TAP se a Lufthansa vencer a privatização, disputada com a Air France-KLM.
- SPAC afirma que a relação com os sindicatos da Lufthansa é péssima, citando greves alemãs e disputas em tribunal arbitral como exemplo.
- SNPVAC promoveu encontro com SITEMA, SITAVA e SIPLA para debater o tema, questionando o timing e a forma de entrada de um grande grupo na TAP.
- Sindicato diz que trabalhadores estão a ser colocados à margem e analisa-se como Bruxelas poderá exigir condições para a entrada de um novo acionista.
- Posições variam: SPAC prefere privatização total (sem Estado), SITAVA e SIPLA consideram o timing desastroso, e SITEMA defende investimento e gestão competente, sem favorecer nem público nem privado.
O tema da privatização da TAP reuniu responsáveis dos principais sindicatos ligados à empresa, num evento organizado pelo SNPVAC. A discussão ocorreu esta quarta-feira para analisar o impacto de uma possível entrada da Lufthansa no capital da companhia.
O presidente do SPAC, Hélder Santinhos, alertou para um possível problema de estabilidade laboral caso a Lufthansa seja o investidor. O representante apontou uma relação difícil entre a transportadora alemã e os sindicatos, citando greves em projetos de pensões.
No debate, os participantes apontaram que a história entre a Lufthansa e os sindicatos não é favorável, citando episódios de disputas judiciais e tentativas de negociação fracassadas. O SPAC destacou ainda a preocupação com o papel de Bruxelas na aprovação de um grande grupo na TAP.
Reações dos sindicatos
Ricardo Penarroias, presidente do SNPVAC, questionou o timing da privatização e a forma como a opção é apresentada como inevitável, lembrando que a TAP tem mostrado resultados positivos após a reestruturação. Outros sindicatos repetiram a cautela quanto à inclusão de trabalhadores no processo.
Paulo Duarte, do SITAVA, reiterou que, até ao momento, não há exemplos de privatizações em que os trabalhadores tenham saído melhor, sublinhando que o timing é desastroso e defendendo manter o atual modelo. Já Tiago Oliveira, do SIPLA, disse que a privatização pode ser considerada se as condições forem adequadas, sem comprometer o futuro da TAP.
Ricardo Medina, do SITEMA, pediu investimento e atração de quadros qualificados, afirmando que não há preferência por regime público ou privado entre os sindicatos. A necessidade de uma gestão eficaz ficou sublinhada por todos os intervenientes.
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