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Construtora brasileira avança em Portugal, mas enfrenta falta de mão de obra

CinzelMarco avança com 25 milhões no Alentejo, mas enfrenta escassez de mão de obra e burocracia em Lisboa que atrasam as obras

Os sócios Carlos César de Lima e Gabriel Polizzi veem boas oportunidades no mercado imobiliário de Portugal, mas reclamam do excesso da burocracia e alertam para a escassez de trabalhadores
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  • A CinzelMarco, criada por Carlos César de Lima e Wallace Lima, iniciou a atuação em Portugal em 2016 com a aquisição de um prédio em ruínas em Lisboa, investindo dois milhões de euros no conjunto do projeto.
  • Atualmente desenvolve projetos em Lisboa e no Alentejo, incluindo a Calçada da Memória, Ajuda, com três apartamentos grandes já previstos para ficarem prontos nos próximos três meses, e um terreno em Melides (Alentejo) para um hotel de moradia com vários tipos de apartamento, num investimento de cerca de 25 milhões de euros.
  • A obra em Rua de São Bento enfrentou fortes entraves burocráticos que resultaram na desistência do desenvolvimento e venda do edifício por 920 mil euros, com prejuízo de 30 mil euros; o novo proprietário ainda não tem alvarás.
  • A falta de mão de obra qualificada em Portugal é um entrave, levando os sócios a considerar contratar no Brasil e a discutir com a Câmara Portuguesa de Minas Gerais formas de facilitar a vinda de trabalhadores legais, dadas as restrições vigentes.
  • O programa Via Verde, criado para facilitar contratações no exterior, exige 150 trabalhadores diretos e faturamento anual superior a 20 milhões de euros, o que deixa de fora várias empresas de menor porte; a CinzelMarco mantém a estratégia de contratar engenheiros e gerir outras funções por empreitadas, mantendo o foco em Lisboa e no seu entorno.

Os donos de uma construtora de origem brasileira avançam em Portugal, mas já enfrentam falta de mão de obra e entraves burocráticos. A CinzelMarco gere obras no Alentejo, Lisboa e está atenta a novos projetos na região da capital.

A empresa foi criada em 2016, após o mineiro Carlos César de Lima e o engenheiro Wallace Lima se associarem para investir em Portugal. O primeiro projeto de raiz envolveu a recuperação de um prédio em Lisboa, com investimento total de 2 milhões de euros.

Na prática, o processo de aprovação burocrática da Câmara Municipal de Lisboa atrasou três anos e a obra resultou em 10 apartamentos e uma loja, com parte do imóvel vendida. Do lado dos sócios, ficou um apartamento cada um.

Desafios na gestão de novos projetos

A CinzelMarco tentou repetir o modelo em uma construção junto à Rua de São Bento, perto da Assembleia da República, mas enfrentou inúmeras ressalvas técnicas. O projeto foi recusado por dificuldades señaladas por engenheiro, arquiteto e historiadora municipais, levando à venda do edifício com prejuízo de 30 mil euros.

Em janeiro de 2025, o prédio acabou vendido por 920 mil euros, mantendo-se em ruínas. O novo proprietário ainda não conseguiu alvarás, segundo afirma o sócio Gabriel Polizzi. O grupo aponta o excesso de burocracia como entrave a uma crise habitacional.

Preferência por Lisboa

Apesar dos contratempos, a CinzelMarco prossegue com novos investimentos na capital. Um prédio na Calçada da Memória, na Ajuda, deverá ficar pronto dentro de três meses, com três apartamentos grandes. A empresa também adquire terreno no Alentejo, em Melides, para um empreendimento hoteleiro com cerca de 25 milhões de euros de investimento.

O projeto Ruína do Malhadal prevê um hotel com serviços, oito apartamentos de um quarto, doze de dois e oito de três/quatro quartos, com áreas de lazer amplas. Em fase posterior, está prevista uma segunda etapa com outro prédio no mesmo formato, em terreno de 55 mil metros quadrados.

Trabalhadores em falta

Os sócios indicam a escassez de mão de obra qualificada como principal entrave para obras em curso. O grupo discute com a Câmara Portuguesa de Minas Gerais a facilitação de contratação de profissionais brasileiros, sempre com documentação adequada. O programa Via Verde, de apoio à contratação no exterior, não abrange pequenas e médias empresas, segundo os empresários.

Para contornar a situação, a CinzelMarco recorre à contratação direta de engenheiros e encarregados, com terceirização de outras funções por meio de empreitadas. A empresa acredita que a alta procura de imóveis torna necessário expandir a operação, sobretudo em Lisboa e áreas limítrofes.

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