- Lisboa recebe, de 10 a 12 de junho, a cimeira europeia de cervejeiros, com painéis sobre métricas de consumo, sustentabilidade e tendências futuras, incluindo uma sessão para o sector em Portugal.
- O encontro tem três pilares centrais: o impacto económico do sector na Europa, a sustentabilidade e a implementação do Regulamento de Embalagens e Resíduos de Embalagens (PPWR).
- Portugal mostra resiliência frente à quebra de consumo na Europa, com produção de cerveja a subir 1,73% em 2025 e vendas a manterem-se, com evolução de 0,88%; o turismo ajuda a consumir cerveja fora de casa (70%).
- Desafios incluem a dupla tributação (IEC/IABA) face ao IVA e custos crescentes de energia, matérias-primas e embalagens; o PPWR exige ajustes para ser viável, especialmente para cervejeiras de menor dimensão.
- O sector português tem cerca de 100 cervejeiras, 97% são PMEs, representa 1,53% do PIB e gera cerca de 100 mil empregos; cerca de metade das embalagens usadas são retornáveis.
Lisboa acolhe, de 10 a 12 de Junho, a cimeira europeia da cerveja, organizada pela Brewers of Europe e pelos Cervejeiros de Portugal. O encontro vai debater impacto económico, sustentabilidade e tendências de consumo, com a participação de produtores do continente.
Carlota Burnay, secretária-geral dos Cervejeiros de Portugal, destaca Lisboa como palco de reflexão sobre a resiliência do sector. Julia Leferman, da Brewers of Europe, sublinha a importância de Portugal pela combinação entre tradição e inovação, turismo e cultura local.
A conferência integra a assembleia geral da associação europeia e painéis sobre métricas, desafios e o futuro do consumo, com foco em sustentabilidade e na implementação do regulamento de embalagens (PPWR). Estão previstas apresentações para o sector.
O evento aborda três pilares centrais: o peso do sector na economia europeia, a sustentabilidade e o PPWR, associando dados de consumo e de produção. O objectivo é compreender caminhos para o sector.
Cerveja europeia envolve mais de 10 mil empresas e cerca de 2 milhões de empregos, gerando acima de 52 mil milhões de euros. Em Portugal, são 97% PME, com contribuição de 1,53% para o PIB e cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos.
No âmbito da cadeia de valor, o sector consome toda a cevada produzida no país, maioritariamente no Alentejo, cobrindo apenas 20% das necessidades locais. A futura estratégia fiscal é tema de preocupação para as cervejeiras portuguesas.
A dupla tributação tributária, com IEC/IABA e IVA agravado, é apontada como entrave económico. Um estudo encomendado à Nova School of Business and Economics deve apresentar conclusões durante a cimeira.
O PPWR, adotado em Fevereiro de 2025, entra em vigor em Agosto, exigindo clarificações que as empresas consideram necessárias para adaptação prática. Desafios de custos de produção (energia, matérias-primas, embalagens) são destacados pelo sector.
A Brewer’s Europe destaca que o sector encara uma conjuntura de custos crescentes, mas observa apoio à linha de sustentabilidade. O objectivo é evitar encargos desnecessários, especialmente para cervejeiras de menor dimensão.
Em Portugal, a indústria já é citada como uma das mais circulares, com cerca de metade do volume de cerveja colocado no mercado final através de embalagens retornáveis, contribuindo para a gestão de resíduos.
Turismo e consumo fora de casa sustentam a procura por cerveja em Portugal, onde 70% das bebidas são consumidas em esplanadas, cafés ou restaurantes, segundo os responsáveis. O sector tem passado por ajustes de estilo e formato.
A tendência europeia aponta para moderação e diversificação, com crescimento de cerveja sem álcool e de baixo teor alcoólico. Em Portugal, o 0,0% registou crescimento recorde de 11,5% em 2025, frente a anos anteriores.
A associção nacional pretende atualizar o levantamento do tecido empresarial, estimando hoje perto de uma centena de cervejeiras ativas, com cerca de 20 a serem associadas, entre elas quatro grandes players.
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