- A inflação anual na zona euro subiu de 2,6% em março para 3,0% em abril, impulsionada pelo aumento de 10,9% nos preços da energia.
- Entre os componentes, a energia registrou a maior subida homóloga, de 10,9% em abril, seguida de serviços (3,0%), alimentos, álcool e tabaco (2,5%) e bens industriais não energéticos (0,8%).
- O agravamento da inflação está associado à escalada dos custos energéticos devido à guerra no Irão, com o Brent a ultrapassar temporariamente os 126 dólares por barril.
- O crescimento da zona euro manteve-se fraco no primeiro trimestre, com um aumento de 0,1% face ao trimestre anterior; a UE registou valor semelhante.
- O BCE enfrenta o desafio da estagflação, com inflação acima da meta de dois por cento num cenário de baixo crescimento, mantendo-se a expectativa de taxa diretora estável.
A inflação na zona euro subiu para 3,0% em abril, impulsionada pela escalada dos preços da energia ligada à guerra no Irão. O total de 21 países que usam o euro foi confirmado pelo Eurostat, com março a registar 2,6%. A subida reflete, principalmente, o impacto do petróleo no custo de vida.
Entre os componentes, a energia apresentou a maior subida homóloga de 10,9% em abril, face a 5,1% em março. Seguiram-se serviços, com 3,0%, alimentos, álcool e tabaco, com 2,5%, e bens industriais não energéticos, com 0,8%. O Brent ultrapassou temporariamente os 126 dólares por barril, um máximo desde o início do conflito.
Desempenho económico: crescimentobrando na UE
O crescimento do bloco foi modesto no primeiro trimestre, com uma subida de apenas 0,1% face ao trimestre anterior, segundo o Eurostat. Na UE, o crescimento também foi de 0,1%.
Comparando com o mesmo período de 2025, o PIB ajustado cresceu 0,8% na zona euro e 1,0% na UE. Este desempenho evidencia uma desaceleração após um trimestre anterior mais robusto.
Contexto geopolítico e implicações
A combinação entre inflação elevada e fraco crescimento é agravada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, que afeta o fluxo de petróleo mundial. Os consumidores e o Banco Central Europeu enfrentam um dilema: políticas monetárias mais restritivas podem frear o crescimento, enquanto manter a política atual pode sustentar a inflação.
Especialistas antecipam que as autoridades monetárias poderão manter as taxas inalteradas na próxima reunião, mesmo com a inflação acima da meta de 2%. A eficácia das medidas depende da continuidade do choque energético e da evolução da atividade económica na região.
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