- O caso envolve o navio Atlântida, adquirido pela Mystic Cruises em 2014 por 8,5 milhões de euros, vendido por mais de 11 milhões, e posteriormente por 17 milhões a uma empresa norueguesa; há alegações de uso de uma empresa de fachada sediada em Malta.
- Pedro Rocha, administrador da Mystic Cruises, afirmou que foi “terrível” tomar conhecimento de que o Atlântida não era adequado para cruzeiros internacionais no rio Amazonas, e que a venda ocorreu no primeiro trimestre de 2015.
- Rocha destacou que, na altura da compra, a liquidez era escassa e houve apoio de um banco português (Carregosa); havia negociações com outro banco para um apoio de longo prazo, e surgiram custos técnicos após a venda à ITW, ligada a Mário Ferreira.
- Hugo Bastos Rodrigues, administrador da Mystic Cruises na altura, disse que o navio não estava habilitado para navegar e que a transformação necessária seria muito mais cara do que o previsto; estudos indicaram custos elevados, sem que a ITW fosse conhecida na altura.
- O empresário Mário Ferreira está a ser julgado no Porto; as acusações de corrupção caíram, o Ministério Público reclama 110 mil euros de juros compensatórios e o julgamento continua a 14 de maio.
O tribunal ouviu, nesta quinta-feira, administradores da Mystic Cruises no âmbito do caso que envolve o navio Atlântida, adquirido em 2014 aos estaleiros de Viana do Castelo por 8,5 milhões de euros e vendido por mais de 11 milhões. O processo envolve ainda a relação com a empresa ITW e uma possível estrutura de fachada em Malta.
Pedro Rocha, administrador da Mystic Cruises, afirmou que ter recebido a informação de que o Atlântida não era adequado para cruzeiros no Amazonas foi extremamente difícil. O navio foi vendido no primeiro trimestre de 2015, após o anúncio de que não cumpria o projeto inicial, disse o economista responsável pela área financeira na época.
Rocha acrescentou que Mário Ferreira era o motor dos projetos da empresa e que, na altura da compra, a liquidez exigia apoio de um banco português, a Carregosa, com negociação de financiamento adicional de longo prazo noutra instituição. Custos técnicos surgiram depois da venda à ITW, também associada a Ferreira.
Hugo Bastos Rodrigues, também administrador da Mystic Cruises e antigo diretor do grupo Douro Azul, contou ter visitado a base naval do Alfeite para ver o navio colocado à venda pelo Estado. O estado de certificação impedia a navegabilidade, mas o potencial para o Amazonas era reconhecido.
Após a aquisição, foram realizados estudos que mostraram custos de adaptação muito superiores ao inicialmente previsto. A transformação poderia custar dezenas de milhões, superando em muito as estimativas de cinco a seis milhões. Na altura, dizia desconhecer a ITW.
O arguido Mário Ferreira está a ser julgado no Tribunal de S. João Novo, no Porto. O processo envolve a aquisição do Atlântida em 2014, a venda a uma empresa sediada em Malta por mais de 11 milhões, e uma posterior venda a uma empresa norueguesa por 17 milhões.
A acusação sustenta que uma das entidades era de fachada, criada em Malta para facilitar uma fuga fiscal em Portugal. Ferreira afirmou desde o início a sua inocência, referindo que o negócio passou por um relatório de transparência e que já devolveu valores. O Ministério Público reclama 110 mil euros de juros compensatórios.
Os acontecimentos remontam, segundo o Ministério Público, a uma estrutura que teria utilizado vias para contornar impostos. O julgamento continua, com nova audiência marcada para o dia 14 de maio.
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