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Sobreeducação na restauração gera perda salarial de 32%

Estudo revela penalização salarial de até 32% na restauração por sobreeducação, com maior impacto em mulheres jovens e trabalhadores estrangeiros

Restauração
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  • A sobreeducação representa uma perda salarial de 32% na restauração e de 30% em mulheres com idades mais avançadas, segundo o PLANAPP.
  • A penalização varia por área: 30% para trabalhadores estrangeiros, 28% no setor de atividades de apoio social, 26% no retalho e entre 26% e 24% nos serviços sociais.
  • O efeito é estimado pela comparação entre o salário observado e o salário esperado num cenário de educação adequada.
  • Entre 2010 e 2021, a taxa de sobreeducação entre licenciados no privado e em contratos no setor público foi de 20% em 2010, caiu para 12% em 2012, subiu lentamente até perto de 15% no final da década; as mulheres foram mais afetadas nos primeiros anos e, a partir dos 40 anos, o impacto foi maior entre os homens.
  • Em 2021, as taxas por área foram: transformadoras 25,2%; segurança 25%; serviços pessoais 24,7%; artes 20,1%; proteção do ambiente 18,2%; ciências físicas 17,8%; humanidades 17,5%; serviços de transporte 17,5%; serviços sociais 17,5%.

A análise divulgada nesta segunda-feira, realizada pelo PLANAPP, mede o fenómeno da sobreeducação em Portugal. O estudo utiliza microdados administrativos dos quadros de pessoal do Ministério do Trabalho e cobre o setor privado e contratos no setor público.

Entre os principais resultados, a sobreeducação implica uma perda salarial de 32% no setor da restauração e 30% para mulheres com idades mais avançadas. Os números refletem penalizações heterogéneas conforme demografia e setor.

Outros impactos significativos apontados incluem 30% de perda para trabalhadores estrangeiros, 28% no atendimento de apoio social, 26% no comércio a retalho e entre 24% e 26% em serviços sociais. A metodologia compara salário observado com um contrafactual de educação adequada.

Metodologia

O desajuste é calculado pela diferença entre o salário real e aquele esperado caso o trabalhador tivesse a qualificação correspondente ao nível de educação.

Evolução temporal e perfis demográficos

Entre 2010 e 2021 houve variações relevantes. Em 2010, a sobreeducação entre licenciados era de 20% no privado e no setor público; em 2012 caiu para 12%. A partir de 2013 houve recuperação gradual até perto de 15%.

Nas primeiras épocas, a sobreeducação era mais alta nas mulheres acima dos 20 anos; nos homens, acima de 16%. No ano seguinte, registou-se queda de ambos os géneros, reduzindo diferenças.

A análise indica que, até aos 30 anos, as mulheres são mais afetadas. A partir dos 40 anos, a sobreeducação afeta mais licenciados do sexo masculino, com diferenças a diminuir entre 2010 e 2021.

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