- Em 2025, a carga fiscal e contributiva sobre o trabalho em Portugal atingiu 39,3% para quem recebe o salário médio, segundo a OCDE.
- O valor de Portugal ficou acima da média da OCDE (35,1%) e abaixo da média dos 22 países da OCDE que integram a União Europeia (UE), que foi de 41,7%.
- Portugal regista, pela segunda vez consecutiva, uma queda ligeira no tax wedge em 2025, inferior a menos de 0,3 pontos percentuais, mantendo a tendência de aproximação à média da OCDE.
- A OCDE observa que, desde 2010, the tax wedge tem aumentado em Portugal, com o maior agravamento associando-se ao período de cortes de impostos entre 2010 e 2015; em 2024 houve uma descida mais expressiva.
- O relatório também destaca que a carga varia consoante o tipo de trabalhador (solteiro sem filhos vs. agregado com filhos) e aumenta com o nível salarial, sendo mais elevada entre 50% e 100% do salário médio.
A carga fiscal sobre o trabalho em Portugal manteve-se acima da média da OCDE em 2025, apesar de ter recuado ligeiramente pelo segundo ano consecutivo. O indicador usado pela OCDE, o *tax wedge*, mostra a diferença entre o custo total de um trabalhador para a empresa e o que esse trabalhador recebe, em salário líquido.
Segundo o relatório anual da OCDE, em 2025 Portugal registou uma carga de 39,3% para um trabalhador solteiro sem filhos a ganhar o salário médio. Este valor permaneceu acima da média da OCDE (35,1%), mas abaixo da média da UE (41,7%). Em 2021, o custo era menor tanto na OCDE como na UE; o peso fiscal tem subido nos quatro anos anteriores.
A OCDE aponta que, globalmente, a média da organização e dos países da UE têm aumentado o *tax wedge* desde 2021, com o agravamento mais recente de 2025 (OCDE +0,2 pontos percentuais; UE +0,1). Em Portugal, contudo, houve uma redução em 2025, repetindo a tendência de 2024, mantendo-se acima dos níveis de 2010.
Entre os grandes aumentos do *tax wedge* na OCDE, destacam-se Reino Unido (+2,45 p.p.), Estónia (+1,95 p.p.) e Alemanha (+1,34 p.p.). Por outro lado, as maiores quedas ocorreram na Austrália, Letónia e Itália, entre 1,67 e 1,21 p.p.
Contexto e perspetivas
A progressividade do sistema fiscal também influencia o indicador. Em 2025, a carga de 39,3% refere-se a um trabalhador solteiro sem filhos com salário médio; versões diferentes (outros agregados familiares) podem variar significativamente. Em Portugal, a diferença entre trabalhadores sem dependentes e teses com filhos ronda os 12 p.p., refletindo benefícios fiscais direcionados às famílias.
A OCDE recorda que a carga aumenta com o nível salarial, especialmente entre 50% e 100% do salário médio, devido à redução de benefícios e maior tributação. O Governo português prevê, em 2026, cortes moderados no IRS, o que pode estabilizar o indicador no próximo ano.
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