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Mercados que mais perderam na guerra do Irão registam ganhos em 2026

Mercados que mais caíram com a guerra do Irão sobem em 2026; a Coreia lidera ganhos, impulsionada por semicondutores e memória, com risco de extensão do cessar-fogo

Operadores cambiais trabalham junto a um ecrã que mostra o índice bolsista composto da Coreia (KOSPI), ao centro, e a taxa de câmbio dólar-won,
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  • Em 2026, as bolsas que mais sofreram com a guerra entre os EUA e Israel e o Irão lideram os ganhos, ainda que o pânico de março tenha deixado marcas.
  • O Brent disparou acima de 120 dólares por barril após o fecho do estreito de Ormuz a 4 de março.
  • O índice KOSPI caiu 19% em março, após ter subido mais de 50% nos dois meses anteriores.
  • Um cessar-fogo de duas semanas foi anunciado a 7 de abril; desde então o petróleo caiu perto de 25%, impulsionando um rali global.
  • A Coreia do Sul lidera com 51,59% de ganho no ano, impulsionada pela Samsung e pela SK Hynix (cerca de 41% da capitalização do KOSPI), apoiadas pelo superciclo de memórias.

O Irão aguarda-se ter sido o centro de uma escalada que já moldou o comportamento dos mercados em 2026. Os mercados que se previa serem mais atingidos pela guerra lideram agora os ganhos do ano, após o alívio vivido após o pânico de Ormuz em março.

A narrativa de 2026 desenha-se em três atos. O primeiro, de janeiro a fevereiro, marcou máximos históricos na Coreia e em Taiwan impulsionados por cortes de bancos centrais e por um superciclo de memória de chip. O segundo, a partir de 28 de fevereiro, foi aberto por ataques aéreos dos EUA e de Israel que desencadearam o conflito com o Irão. O terceiro começou em abril com uma proposta de cessar-fogo mediada pelo Paquistão.

O petróleo foi um dos elementos-chave do choque inicial, com o Brent acima de 120 dólares por barril após o encerramento do estreito de Ormuz a 4 de março. O KOSPI recuou 19% em março, a maior correção mensal desde outubro de 2008, após ter ganho mais de 50% nos dois meses anteriores. O S&P 500 aproximou-se de território de correção, e os índices europeus debateram-se com riscos de estagflação.

Desempenho das principais bolsas em 2026

No entanto, a pressão cedeu. A 31 de março, o Paquistão e a China apresentaram uma iniciativa de paz em cinco pontos. No dia seguinte, Trump insinuou numa rede social que Irão pedia cessar-fogo condicionado à reabertura do estreito. A 7 de abril foi anunciado um cessar-fogo de duas semanas.

Desde então, o petróleo recuou perto de 25%, o que motivou um rali global nos mercados. O que antes parecia uma tendência de baixo sofreu uma viragem marcada por recuperação generalizada, com ganhos impulsionados pela nota de alívio do conflito.

Por que a Coreia continua a liderar

A Coreia do Sul mantém uma liderança notável, com o KOSPI a valorizar cerca de 51,6% desde o início do ano, ultrapassando significativamente outros índices. O motor está nas maiores empresas de semicondutores, com Samsung Electronics e SK Hynix a somarem ganhos próximos de 80% desde o início do ano.

A explicação reside no superciclo dos chips de memória, que beneficiou fortemente a indústria tecnológica sul-coreana. A Samsung divulgou um recorde no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pela procura por memória de alta largura de banda. A SK Hynix assinou contratos de longo prazo com clientes de cloud e GPU, reforçando o cenário de escassez.

Analistas do Goldman Sachs já tinham previsto a oportunidade, descrevendo a queda de março como uma correção que daria lugar a novos máximos após consolidação. O padrão confirmou-se para o conjunto do mercado.

Comportamento dos ETFs por país

Entre os ETFs, os movimentos variaram conforme o momento da guerra. Em termos de performance desde o fecho de 27 de fevereiro, países ligados ao petróleo, como Arábia Saudita e Noruega, bem como mercados tecnológicos como Taiwan, mostram ganhos relevantes. Mercados emergentes de alta beta, incluindo Argentina e Turquia, também aparecem entre os líderes.

Pouco depois do cessar-fogo, o desempenho por país mostrou novos ganhos. A Coreia do Sul assegura a primeira posição, seguida de Taiwan, com a Grécia a ganhar terreno pela retracção do petróleo e pela queda das previsões de subida de juros pelo BCE. Polónia, Países Baixos, Suécia e Áustria aparecem entre os países com recuperação rápida.

Perspectivas para as próximas semanas

Os analistas assinalam que a Coreia continua a destaque pela dupla leitura: liderança em várias métricas, mas dependência de semicondutores e memória. As negociações sobre extensão do cessar-fogo, em Islamabad, poderão alterar o ritmo de recuperação. A reabertura total do estreito continua em negociação.

Até segunda-feira, o ouvinte da bolsa aguarda os próximos desdobramentos do cessar-fogo, com impactos diretos sobre o petróleo e a volatilidade. A direção para abril pode definir se será a plataforma de lançamento de novos máximos ou apenas o topo da recuperação.

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