- O FMI recomenda que governos não criem subsídios aos combustíveis; transferências temporárias e com metas definidas são uma opção superior.
- Rodrigo Valdés afirma que a energia tem de ficar mais cara para todos para criar o ajustamento e reduzir o consumo.
- A guerra no Médio Oriente e o bloqueio do estreito de Ormuz elevam os preços da energia e podem colocar a economia mundial em risco de recessão se o petróleo ficar acima de 100 dólares por barril até 2027.
- A dívida pública global atingiu 93,9% do PIB em 2025 e deverá chegar a 100% em 2029, podendo subir para 102,3% em 2031; os juros devem ficar perto de 3% do PIB em 2025.
- Despesas com segurança, transição energética e juros, bem como receitas, são os principais desafios orçamentais que os países enfrentarão nos próximos anos.
O FMI pediu aos governos que não criem subsídios para combustíveis como forma de moderar o aumento dos preços, citando a necessidade de ajustes para reduzir o consumo. Rodrigo Valdés, responsável pela área de assuntos fiscais, afirmou que transferências temporárias com metas claras são uma opção mais eficaz e transparente.
Segundo Valdés, não há petróleo nem energia suficientes para sustentar subsídios generalizados. A energia precisa de um preço que incentive o ajuste da procura, sobretudo em contextos de guerra no Médio Oriente e de perturbações no estreito de Ormuz. O FMI orienta evitar distorções que adiem sinais de custo.
O relatório Fiscal Monitor ressalva que a indústria energética global sofre com o aumento dos preços e com receios de recessão se o petróleo permanecer acima de 100 dólares por barril até 2027. A organização destaca que sinais de preço ajudam a alinhar a procura à oferta disponível.
A instituição destaca impactos adicionais: controlo de exportações, danos às infraestruturas energéticas e capacidade de outros produtores além do Médio Oriente. Com estas variáveis, o FMI avalia o efeito da guerra e a resiliência da economia mundial.
Dívida pública em ascensão
O FMI revela que a dívida pública global atingiu 93,9% do PIB em 2025, perto de 94%, e deverá alcançar 100% em 2029, mais cedo do que estimulado há um ano. A projeção aponta para 102,3% em 2031, refletindo o peso crescente da dívida.
Os encargos com juros subiram para quase 3% do PIB em 2025, acima de 2% há quatro anos, indicando maior transmissão de juros de curto prazo para a dívida. A extensão da dívida e o aumento das despesas permanentes contribuem para o cenário.
Outros obstáculos incluem elevação de custos de segurança, transição energética e climática, além de receitas que não têm acompanhado o ritmo das despesas. O relatório também analisa como manter a sustentabilidade fiscal diante destes choques.
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