- Odile Renaud-Basso, presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD), afirma que a guerra no Médio Oriente pode travar o crescimento e aumentar a inflação, sendo as repercussões mais graves se o conflito se prolongar.
- Analisa-se que o aumento do preço da energia, ligado ao possível encerramento do Estreito de Ormuz e à destruição de instalações energéticas, intensifica os impactos económicos.
- O BERD estima que manter os preços do petróleo em torno de 100 dólares por barril pode reduzir o crescimento em 0,4% e aumentar a inflação em cerca de 1,5% nos países onde atua.
- A Europa enfrenta espaço fiscal mais limitado para contrabalançar subidas energéticas; o BERD planeia investir 5 mil milhões de euros em 2026 em países do Médio Oriente afetados pela crise.
- O banco destaca a sua atuação na Ucrânia (investimentos de 9,7 mil milhões de euros desde 2022) e afirma estar disponível para apoiar outras economias afetadas pela segurança económica e pelos impactos macroeconómicos.
Odile Renaud-Basso, presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD), aponta que a guerra no Médio Oriente pode travar o crescimento e aumentar a inflação na UE. Contudo, uma guerra prolongada terá repercussões ainda mais graves para as economias onde o BERD atua.
Segundo a dirigente, o cenário atual já eleva custos e pressiona cadeias de abastecimento, com o preço da energia a ser o principal motor de risco. O encerramento do Estreito de Ormuz, aliado à destruição de infraestruturas no Irão e no Golfo, eleva os preços mundiais de energia.
Impactos e estratégia do BERD
O BERD estima que manter o petróleo perto de 100 dólares o barril pode reduzir o crescimento em 0,4% e aumentar a inflação em cerca de 1,5% nos países onde opera. Não é visto como recessão, mas o agravamento aumenta o peso económico.
A Europa enfrenta ainda um espaço fiscal mais restrito, dificultando medidas para contrabalançar os aumentos da energia. O banco destaca a necessidade de apoio estável para enfrentar choques externos.
Em 2026, o BERD planeia canalizar 5 mil milhões de euros em investimentos nos países do Médio Oriente afetados pelo conflito, com foco inicial nas economias mais atingidas pelo efeito direto do conflito.
O investimento inicial deverá atender economias como Iraque, Jordânia, Líbano, Cisjordânia e Faixa de Gaza, bem como vizinhos que enfrentam efeitos colaterais, como Egito, Turquia e Arménia.
O BERD afirma atuar como banco contra-cíclico, mantendo apoio a investimentos mesmo quando o setor privado reduz exposição. A instituição diz estar pronta a apoiar outras economias onde opera e afetadas por insegurança económica.
A nível regional, o BERD tem impacto significativo na Ucrânia, tendo investido 9,7 mil milhões de euros desde a invasão de 2022, com ênfase em segurança energética e reconversões para mercados orientados ao setor privado.
Renaud-Basso acrescenta que a situação no Médio Oriente repercute também na Ucrânia, através do aumento dos preços da energia, do esgotamento de equipamento antimísseis e da influência sobre as vendas de combustíveis fósseis por parte de alguns actores globais.
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