- A Easyjet admite reduzir a operação em rotas domésticas caso entre em vigor o fim dos tetos do subsídio social de mobilidade para residentes da Madeira e Açores.
- O subsídio fixa tarifa máxima de 79 euros para residentes e 59 euros para estudantes nas ligações entre a Madeira e o continente, com um teto máximo de 400 euros.
- O diretor-geral da Easyjet em Portugal, José Lopes, afirmou que retirar o teto pode elevar artificialmente os preços, não trazer benefícios e afastar visitantes.
- Para o verão, a IATA prevê 5.700 voos no aeroporto da Madeira, mais de um milhão de lugares e 15 rotas para seis países, incluindo Nice; há aumento de 5% face ao período homólogo.
- No Porto Santo, mantêm-se as duas rotas existentes (Lisboa e Porto) mas houve redução para Lisboa; as mudanças foram aprovadas na Assembleia da República e entram em vigor após análise, com o regime de continuidade territorial.
A Easyjet Portugal admite que pode reduzir a operação nas rotas domésticas caso entre em vigor o fim dos tetos máximos do subsídio social de mobilidade. A ressalva foi feita pelo diretor-geral da empresa em Portugal, José Lopes, durante uma conferência no Funchal, realizada com a Secretaria Regional do Turismo.
Lopes afirmou que a retirada do limite superior pode levar a um aumento artificial dos preços, o que, na sua perspetiva, não traria benefícios aos residentes e poderia afastar visitantes, passageiros relevantes nas rotas internas da Madeira.
Na conferência, que abordou a atividade e compromissos de longo prazo da empresa na região, o executivo destacou que a Easyjet lidera as operações aéreas na Madeira e registou evolução considerável desde 2007, ano em que começou a operar na ilha.
Perspetiva do operador e planeamento para o verão
Para o verão, a IATA prevê que a Easyjet opere cerca de 5 700 voos no Aeroporto da Madeira, mais 5% face a 2023, com mais de um milhão de lugares disponíveis, mais 4% do que no ano anterior, e 15 rotas para seis países, mais uma do que em 2023, incluindo Nice, França.
No Aeroporto de Porto Santo, mantêm-se as duas rotas existentes, para Lisboa e para o Porto, ainda que com constrangimentos que afetam a ligação a Lisboa, indicou a transportadora.
José Lopes ressalvou que o plano de operação foi elaborado com base nos cenários atuais e que, se as mudanças ao subsídio de mobilidade entrarem em vigor, haverá impactos na atividade da Easyjet. O responsável não afastou por completo a possibilidade de reduzir a capacidade no mercado.
Questionado, o gestor citou o caso dos Açores, para onde a Easyjet já não opera. Nesse arquipélago, o subsídio não tinha teto máximo, o que resultou em preços mais elevados, menos passageiros e custos maiores para o erário.
Contexto político e efeitos esperados
O secretário regional do Turismo, Eduardo Jesus, explicou que as propostas da Madeira não visam eliminar o teto máximo atual, atribuindo a mudança aos Açores, e alegou que grande parte das passagens não atinge os 400 euros. Revelou previsões de aumento de despesa pública sem o teto.
As alterações ao subsídio social de mobilidade foram aprovadas na Assembleia da República na sexta-feira, mas ainda não entraram em vigor. O diploma permite que o acesso ao subsídio passe a designar-se mecanismo de continuidade territorial e elimina o requisito da situação contributiva e da apresentação de recibos, além de reduzir o teto máximo elegível.
O subsídio social de mobilidade define uma tarifa máxima de 79 euros para residentes e 59 euros para estudantes, em viagens Madeira-continente (ida e volta). O teto máximo do custo elegível mantinha-se em 400 euros. Se a passagem superar esse teto, o valor excedente fica a cargo do passageiro.
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