- A polícia venezuelana disparou gás lacrimogéneo para dispersar cerca de 2.000 manifestantes em Caracas que marchavam para o palácio presidencial, exigindo aumentos salariais e de pensões.
- Os manifestantes gritavam “Sim, nós podemos” e pediam aumentos de base, não apenas bónus, com as forças de segurança a tentar impedir o avanço no centro da cidade, a poucos quilómetros do complexo presidencial.
- A presidente interina Delcy Rodríguez anunciou, na quarta-feira, um aumento dos salários a 1 de maio, mas não revelou o montante.
- O salário mínimo mensal na Venezuela é de 130 bolívares (0,23 euros), mantendo-se inalterado desde 2022, e fica muito abaixo do que, segundo estimativas, é necessário para sustentar uma família, que ronda os 645 dólares por mês.
- O protesto de quinta-feira foi a maior manifestação anti-governamental desde agosto de 2024, refletindo a crescente insatisfação com o custo de vida no país.
A polícia venezuelana disparou gás lacrimogéneo na quinta-feira para dispersar cerca de 2.000 manifestantes em Caracas. O grupo avançava em direcção ao palácio presidencial, exigindo aumentos salariais e de pensões. O choque ocorreu num contexto de crise do custo de vida no país.
Os manifestantes, que gritavam slogans de protesto, enfrentaram dezenas de agentes de choque equipados com capacetes e escudos. A marcha caracteriza-se pela pressão popular por salários base mais elevados, não apenas por bónus governamentais.
A presidente interina Delcy Rodríguez anunciou, na quarta-feira, um aumento de salários para 1 de maio, sem divulgar o montante. O salário mínimo na Venezuela mantém-se em 130 bolívares, cerca de 0,23 euros, inalterado desde 2022.
Apesar de o setor público registar vencimentos que podem atingir até 150 dólares com subsídios, as famílias precisam de cerca de 645 dólares para cobrir necessidades básicas, segundo estimativas. A inflação ultrapassa os 600% ao ano.
Os manifestantes exigem um aumento de salário de base e criticam a estratégia de elevar apenas bónus. Segundo Maurício Ramos, aposentado de 71 anos, os bónus não podem substituir o salário.
Rodríguez defende um aumento salarial “responsável” que não alavanque a inflação. A líder substituiu Maduro após a captura do líder, em janeiro, com apoio de Washington e sob condições ligadas ao acesso ao petróleo.
A protesto de quinta-feira representa a maior manifestação anti-governamental desde agosto de 2024, quando bloqueios e repressões marcaram aquele ciclo de contestação. Agora, os venezuelanos aparecem mais assertivos, ainda que haja receio de novas prensas.
Contexto económico e político
As reformas económicas aprovadas recentemente visam acalmar a pressão social, mas a insegurança financeira persiste para grande parte da população. O regime interino enfrenta críticas sobre a eficácia das medidas para mitigar o custo de vida.
Desfecho e perspetivas
As autoridades não indicaram se prometem novas negociações salariais num futuro próximo. A reportagem continua a acompanhar o desdobramento da crise económica e as respostas oficiais.
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