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Alta dos preços dos combustíveis reduz feirantes

A escalada dos combustíveis, pela guerra no Médio Oriente, reduz o número de feirantes e dificulta repercutir custos, agravando a instabilidade nas feiras

Feira
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  • O presidente da Federação Nacional das Associações de Feirantes indicou que a guerra no Médio Oriente reduziu o número de feirantes, que não conseguem repassar o aumento dos combustíveis aos preços.
  • Segundo Joaquim Santos, cada abastecimento para ir à feira envolve um acréscimo de 30 a 40 euros, o que nem sempre resulta em retorno no final do dia.
  • A situação agrava-se pela dificuldade de transferir esses custos para o consumidor final e pelo inverno recente, que também afetou o mercado, levando alguns feirantes a procurar outras formas de sustento.
  • Defende-se a revisão da lei 10/2015, especialmente no que toca à rotatividade de espaços, já que há feiras com 200 lugares livres e muita dificuldade de ocupação por idade de reforma ou concorrência alta.
  • O dirigente criticou governos e União Europeia pelaquilo a que chama de “paraíso fiscal” para vendas online, elogiou a ASAE pela luta contra a contrafação nas feiras e pediu que os municípios ajustem as feiras ao momento atual.

O aumento dos preços dos combustíveis está a reduzir o número de feirantes, segundo o presidente da Federação Nacional das Associações de Feirantes. A guerra no Médio Oriente está a dificultar o repasse de custos aos produtos vendidos nas feiras.

Joaquim Santos afirma que cada abastecimento de combustível acarreta um custo adicional entre 30 e 40 euros, valor que nem sempre consegue ser repercutido no preço final. Muitos feirantes não sabem se terão retorno ao fim do dia.

A situação agrava-se pela incerteza de conseguir cobrir as despesas, principalmente após um inverno pouco favorável ao setor e pelas dificuldades em transferir o custo aos clientes. O mercado tem sido marcado pela instabilidade.

A legislação 10/2015, que regula feiras e mercados, é apontada como parte do problema. A rotatividade de espaços exige ocupação constante, mas hoje não há feirantes suficientes para justificar essa exigência, sustenta o presidente.

Segundo Santos, há feiras com centenas de lugares vazios, com concursos que quase não preenchem mais de meia dúzia de vagas. A idade de reforma de muitos feirantes e a concorrência intensa contribuem para a redução de atividade.

Críticas são dirigidas aos governos e à União Europeia pela falta de medidas para combater o crescimento das vendas online. A atuação da ASAE é elogiada, mas alegam que ainda não é suficiente para conter a concorrência digital.

Conversas com o Governo teriam revelado vontade de reformar a legislação, segundo o dirigente. Santos apela aos municípios para ajustarem a organização das feiras ao contexto atual e evitarem perder espaço de venda.

As críticas estendem-se à atuação policial, com relatos de multas a quem procura estacionar perto das feiras. A percepção é de penalização em vez de tolerância, o que contribui para a desmobilização de feirantes.

O conflito no Médio Oriente teve início a 28 de fevereiro, quando ataques entre EUA, Israel e Irão desencadearam respostas com mísseis, drones e bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, vias estratégicas para o petróleo. O cenário elevou o preço da energia e volatilizou mercados.

O cessar-fogo provisório, anunciado recentemente, trouxe algum alívio, mas a incerteza geopolítica persiste. Analistas destacam que os impactos nas cadeias de abastecimento e nos custos energéticos deverão perdurar nos próximos meses.

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