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Europa antecipa resultados da guerra no Irão; quem ganha e quem perde

Resultados europeus arrancam; lucros sobem 4%, puxados pela energia, mas a guerra no Médio Oriente eleva a inflação e pressiona o crescimento

Presidente Donald Trump surge num ecrã de televisão de um posto de negociação no piso da Bolsa de Nova Iorque,
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  • Os lucros do STOXX 600 devem subir, em média, 4% no primeiro trimestre, com receitas a crescerem 1,7%; o seu ganho é praticamente todo driven pelo setor de energia, que deverá apresentar +24,9% nos lucros. Excluindo esse impulso, o crescimento agregado fica em cerca de 1,5%.
  • A conjuntura macro europeia deteriorou-se: a guerra no Médio Oriente deve tirar cerca de 0,3 pontos percentuais ao PIB da zona euro até ao fim de 2026, com inflação a acelerar para 2,5% em março e um BCE esperado a subir juros.
  • A fase de resultados começa pela pressão sobre o setor de luxo, com LVMH, BMW e Kering a abrir a época; o cenário macro tornou-se menos favorável para este segmento.
  • No capítulo dos semicondutores, a ASML aponta para receitas entre 8,2 e 8,9 mil milhões de euros no 1T, sustentadas pela procura ligada à inteligência artificial, ainda que possam emergir riscos de restrições de exportação para a China.
  • Os bancos europeus vão apresentar resultados entre 29 e 30 de abril, enfrentando um ambiente de juros elevados e potencial estagflação, que pode reduzir a qualidade de crédito apesar de margens beneficiarem com o aumento das taxas.

Apesar de a época de resultados ter início na próxima semana, a Europa encara um contexto alterado pela guerra no Irão, pela escalada dos preços da energia e pela perspetiva de subida de juros pelo BCE. O crescimento da zona euro foi revisto para baixo, com inflação a acelerar e lucros a depender fortemente de custos e reestruturações.

Os números do STOXX 600 apontam para um ganho médio de 4% nos lucros do 1º trimestre, com receitas a avançarem 1,7%. Contudo, esse impulso é majoritariamente explicado por um incremento de 24,9% nos lucros do setor de energia, devido ao aumento do crude. Excluindo esse efeito, o crescimento seria de apenas 1,5%.

O quadro macroeconómico aproxima-se de um domínio de maior incerteza. O BCE prevê que a guerra retire cerca de 0,3 pontos de PIB da zona euro até ao final de 2026, mantendo um crescimento perto de 0,9% em 2026. A inflação deverá manter-se elevada, com pressões especialmente vindas do setor energético.

A semana inaugural do período de resultados traz empresas de luxo em foco. LVMH, BMW e Kering abrem a temporada entre 13 e 15 de abril, enquanto ASML reporta a 15 de abril. O enquadramento macro tornou-se mais hostil para o segmento, com receios sobre o crescimento de receitas no Médio Oriente, importante para marcas como Gucci.

No sector de semicondutores, a ASML continua a atuar como indicador de demanda. A empresa prevê receitas entre 8,2 e 8,9 mil milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, com fortes margens brutas. A continuação da procura, impulsionada pela IA, é uma das principais incógnitas.

A segunda e a terceira semanas trazem nomes como L’Oréal, SAP, Safran e Sanofi, com a energia a dar os primeiros sinais de turbulência a 24 de abril, quando a ENI divulga resultados. O Brent acima de 100 dólares continua a sustentar ganhos para a energia e a pressão sobre custos.

A última semana de abril será determinante para bancos e indústria. A Airbus abre a 28 de abril, seguindo-se BP e TotalEnergies na reta final. Os bancos europeus, entre 29 e 30 de abril, enfrentam um cenário de juros mais altos e potenciais perdas de crédito, num ambiente de maior volatilidade.

Veredito que o mercado aguarda: os lucros agregados parecem resilientes, sustentados por controlo de custos, mas a dependência de ganhos excecionais da energia introduz fragilidades subjacentes. A guerra coloca uma dúvida essencial: os efeitos de curto prazo serão apenas temporários ou estruturais?

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