- A OpenAI apresentou propostas de políticas públicas sobre IA, incluindo semanas de quatro dias (32 horas), bancos de horas pagos e impostos sobre o trabalho automatizado.
- O documento, com 13 páginas, defende redistribuição de ganhos da tecnologia e uma transição para menos horas de trabalho humano, com testes-piloto e opções como semana de trabalho mais curta ou bancos de horas.
- Propõe ainda aumentar impostos sobre mais-valias, rendimento das empresas e caminhos específicos para rendimentos impulsionados pela IA, para reequilibrar a base fiscal.
- Sugere requalificação de trabalhadores deslocados pela IA, com foco em áreas como educação e cuidados de crianças e idosos, mantendo a importância da participação humana.
- A OpenAI reconhece riscos associados à IA, como disrupção laboral, uso malicioso e concentração de riqueza, mas mantém a visão de que os benefícios podem superar os desafios.
A OpenAI apresentou um conjunto de propostas públicas para lidar com o impacto da inteligência artificial na economia e no mercado de trabalho. O documento, de 13 páginas, compara os efeitos da IA a mudanças históricas como a electricidade e o motor de combustão.
As sugestões abrangem alterações na organização do trabalho, como semanas de 32 horas, dias de quatro dias e bancos de horas pagos. A empresa defende que a transição pode manter a produção estável mesmo com menos horas de trabalho humano.
Propõe ainda um reforço de impostos sobre ganhos de capital e sobre empresas, bem como a criação de um imposto específico sobre o trabalho automatizado. A OpenAI sugere que decisores políticos considerem formas de redistribuir ganhos de produtividade resultantes da IA.
A organização aponta a necessidade de testes-piloto em ambiente laboral, com reduções de horário sem perda salarial, para aferir impactos na produção e nos serviços. Caso os resultados sejam positivos, as empresas poderiam adotar temporariamente ou permanentemente estas medidas.
No documento, a OpenAI descreve mecanismos para que os lucros da eficiência se traduzam em segurança financeira a longo prazo e em tempo disponível para os trabalhadores. A ideia é compensar eventuais perdas de emprego com novas oportunidades de formação.
A empresa sinaliza que a transformação pode exigir resposta pública, incluindo requalificação, sobretudo em áreas como educação e cuidados a crianças e idosos. Sublinha que a intervenção humana permanece essencial nestas profissões.
Contexto laboral em Portugal
Dados recentes do INE sugerem que a IA já altera tarefas laborais, mas a maioria dos trabalhadores não se mostra muito preocupada com a perda de emprego. Quase 90% admite que a tecnologia acelera a conclusão de tarefas, enquanto 71% acham que o volume de trabalho ficou mais gerível.
A notícia aponta que 18% teme perda de posto de trabalho apesar dos ganhos de produtividade. A recolha mostra, no entanto, que a perceção varia consoante setor e nível de qualificação.
Uso da IA por entidades públicas e lacunas regulatórias
O documento recomenda regras claras sobre a utilização de IA por governos, com salvaguardas e instituições de supervisão. Observa que cada vez mais decisões públicas podem depender de fluxos assistidos por IA.
A OpenAI não aborda diretamente o uso militar da IA, mantendo o foco em impactos civis, económicos e regulatórios. O texto ressalva ainda riscos como disrupção de empregos, uso indevido e concentração de riqueza.
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