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Jornalismo nos cuidados intensivos regista muitos casos de abandono em dez anos

Relatório aponta jornalismo português em cuidados intensivos, com fuga de talento, salários baixos e falta de recursos que prejudicam fiscalização

Protesto de jornalistas da agência Lusa, em março
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  • O estudo de Felisbela Lopes, da Universidade do Minho, mostra que o jornalismo português está nos “cuidados intensivos” após dez anos, com 100 profissionais inquiridos a apontar constrangimentos em catadupa e preocupações mais intensas.
  • Dos 100 jornalistas do painel original, 31 deixaram definitivamente a profissão, para além da exceção da morte de João Aguiar, buscando estabilidade que as redações não ofereciam.
  • As causas principais são a crise financeira dos grupos, a precariedade laboral e uma crise de identidade; a falta de recursos (48 referências) e os baixos salários (33 referências) aparecem entre os principais entraves.
  • A autora defende que o jornalismo é um bem público e que o modelo de negócio não é recuperável, pedindo financiamento público e reforço de apoios aos órgãos nacionais, para além do foco atual nos serviços regionais do Plano de Ação para os Média.
  • O ecossistema digital aumenta receios com Inteligência Artificial (14 referências) e desinformação (13 referências), reforçados pela pressão pela rapidez; é urgente definir poderes públicos e dignificar a profissão para evitar que a verdade seja manipulada.

O estudo conduzido pela professora Felisbela Lopes, da Universidade do Minho, aponta que o jornalismo português continua a enfrentar sérios problemas financeiros e de precariedade laboral. O trabalho, dez anos após um estudo anterior, revela constrangimentos numerosos e de maior gravidade entre 100 profissionais inquiridos, com 31 a abandonar a profissão desde então.

A investigadora descreve uma asfixia que se agrava pela crise nos grupos mediáticos, pela instabilidade contratual e por uma crise de identidade profissional. As dificuldades mais citadas são a falta de recursos e os baixos salários, que freiam a investigação e a fiscalização do poder público.

Contexto e causas

A autora sustenta que o modelo de negócio atual não é recuperável sem financiamento público adequado, defendendo que o jornalismo é um bem público. O Plano de Ação para os Media é visto como insuficiente, com foco excessivo no setor regional e necessidade de apoio aos órgãos nacionais para evitar desinformação e aceleramento da velocidade em prejuízo do rigor.

Outro foco do estudo é a crise de identidade, com a profissão a perder autoridade frente a influenciadores e comentadores. A pesquisadora compara a situação com outras profissões reguladas, mencionando a impossibilidade de ter não médicos a exercer medicina ou não professores a ensinar numa escola pública.

Desafios tecnológicos e propostas

A investigação assinala a emergência de novos medos no ecossistema digital, nomeadamente a Inteligência Artificial e a desinformação, que aparecem entre as principais preocupações. A pressão pela rapidez é apontada como fator que compromete a qualidade do jornalismo.

Para a autora, é necessário avançar para uma regulação clara da carreira, com poderes públicos definidos por lei, para dignificar a profissão e defender a verdade face a narrativas manipuladas. O apelo é de uma resposta política e social efetiva para manter o jornalismo enquanto pilar democrático.

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