- Os preços mundiais dos alimentos básicos subiram 2,4% em março, segundo a FAO.
- O índice FAO dos preços alimentares ficou 1% acima do valor de há um ano.
- O aumento foi impulsionado pela subida dos preços de energia devido à guerra no Irão.
- Os preços dos cereais avançaram 1,5% em março, com o trigo a subir 4,3% e o arroz a cair 3%.
- O índice de preços da energia subiu 5,1% face a fevereiro; carne (+1%), laticínios (+1,2%) e açúcar (+7,2%) também registaram aumentos.
Os preços mundiais dos alimentos básicos subiram 2,4% em março, impulsionados pela subida dos custos de energia associada ao conflito no Irão. A informação é da FAO, que cobre o conjunto de produtos agrícola a nível global.
O índice FAO dos preços alimentares voltou a subir, marcando o segundo aumento mensal consecutivo após um incremento de 0,9% em fevereiro face a janeiro. O dado foi divulgado numa comunicação da organização nesta sexta-feira.
Segundo a FAO, o avanço de março deixa o índice 1% acima do valor observado há um ano. O economista-chefe Máximo Torero sublinhou que, desde o início do conflito, as lideranças dos preços têm sido moderadas pela alta do petróleo, contudo limites de oferta permanecem visíveis.
Torero avisou que, se o conflito se prolongar além de 40 dias, com custos de produção elevados e margens de lucro reduzidas, os agricultores poderão optar por cultivar menos ou por mudar para culturas menos intensivas que requerem menos fertilizantes.
Essas decisões podem influenciar as colheitas futuras, afetando o abastecimento de alimentos e os preços ao longo do ano seguinte, destacou o economista da FAO. A guerra envolve Estados Unidos e Israel contra o Irão desde o fim de fevereiro.
O conflito aumentou o preço de fertilizantes, 30% dos quais passam pelo Estreito de Ormuz, cuja produção depende do gasóleo utilizado na fabricação. A elevação dos custos implica impactos na logística global de alimentos.
No conjunto de alimentos, o cereal registrou alta de 1,5% em março, com o trigo a subir 4,3% devido a perspetivas de seca nos EUA e de redução de plantações na Austrália por custos de fertilizantes. O milho também ficou mais caro, enquanto o arroz recuou 3%.
O petróleo, medido pelo índice da FAO, subiu 5,1% entre fevereiro e março, situando-se 13,2% acima do valor de um ano antes. Já os preços da carne aumentaram 1%, enquanto laticínios subiram 1,2% e o açúcar 7,2%.
Estados Unidos e Israel travam desde 28 de fevereiro uma ofensiva militar de grande escala contra o Irão. O conflito jáfreu mais de três mil mortos, com impacto também no Líbano, mobilizado pelo Hezbollah, aliado do Irã, que reagiu a ataques israelitas.
Em reação, o Irão fechou o Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica para o petróleo, e lançou ataques contra alvos na região. A situação contribui para a elevação de preços de petróleo e de várias matérias-primas usadas na produção de alimentos.
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