- A Ryanair encerra as operações nos Açores, com os últimos voos marcados para o fim de semana, deixando de ligar Lisboa e Porto a São Miguel e Terceira.
- O Governo Regional e entidades locais tentaram manter a presença da companhia, mas sem sucesso; a SATA e TAP são consideradas para mitigar o impacto a médio prazo.
- Empresários receiam queda no turismo e, segundo a Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada, a saída pode reduzir o PIB regional entre 1,5% e 1,7% (até 104,5 milhões de euros por ano).
- O turismo representa cerca de vinte por cento do PIB regional, e a Ryanair compromete entre 7,5% e 8,7% das dormidas turísticas na região.
- A saída coincide com o contexto de investigações da Polícia Judiciária na chamada operação “Last Call”, relacionada com suspeitas de favorecimento de uma companhia aérea por entidades públicas nos Açores.
Ryanair encerra de forma definitiva as suas rotas para os Açores a partir de 29 de março. Os últimos voos com destino ao arquipélago acontecem no fim de semana, com ligações de Lisboa para Terceira e vice-versa, e de Porto para Ponta Delgada e de Regresso. A companhia justifica a decisão pela taxa airportária e pela tributação ambiental da UE.
O Governo Regional já tinha tentado manter a operação, sem sucesso. O executivo avaliou alternativas com a TAP, a SATA e outras companhias para minimizar o impacto na conectividade e no turismo dos Açores.
A decisão afeta diretamente o turismo regional, setor crucial para a economia. A Câmara de Comércio de Ponta Delgada estima uma queda do PIB entre 1,5% e 1,7% até 2026, com uma perda anual até 104,5 milhões de euros. O turismo representa cerca de 20% do PIB regional.
“O rendimento do turismo era de 206 milhões de euros em 2019 e cresceu desde então” disse o presidente do governo regional. A Ryanair era responsável por between 7,5% e 8,7% das dormidas no arquipélago, segundo a CCIPD.
O Grupo SATA já indicou acompanhar a situação para mitigar constrangimentos na mobilidade de turistas e residentes, sem apresentar novas declarações sobre o tema até ao momento.
Últimos desenvolvimentos ligados ao caso ocorrem dias depois da operação Last Call, com buscas da PJ a vários locais da administração regional. Há cinco arguidos no âmbito de um inquérito por suspeitas de favorecimento de uma companhia aérea.
Paulo Estêvão, secretário regional, afirmou que as buscas ocorreram em várias instalações da administração e que há total colaboração com as autoridades.
As autoridades estăo a investigar alegados financiamentos e adjudicações de contratos pelo Programa Operacional dos Açores 2030, num caso que envolve o setor público e empresas aéreas.
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