- A Autoridade da Concorrência italiana (AGCM) abriu dois inquéritos contra Sephora Italia e contra Benefit Cosmetics e LVMH Profumi e Cosmetici Italia por alegadas práticas comerciais desleais que incentivariam o uso precoce de cosméticos por menores.
- Foram efetuadas inspeções aos escritórios das empresas, na quinta-feira, com o apoio da Guardia di Finanza.
- A investigação analisa marketing via redes sociais e o uso de micro-influenciadores para encorajar compras compulsivas de máscaras faciais, séruns e cremes anti-idade por jovens.
- O fenómeno, designado “cosmetorexia”, refere-se à obsessão de menores por cuidados de pele e à procura de produtos caros, impulsionada por tendências nas redes sociais.
- Especialistas destacam riscos psicológicos e de autoestima, bem como a possível responsabilidade do ambiente familiar, em que há permissividade no uso de smartphones e conteúdos sociais.
A Autoridade da Concorrência italiana (AGCM) abriu dois inquéritos por práticas comerciais desleais relacionadas com a utilização precoce de cosméticos por menores de idade. O processo envolve a Sephora Italia e a Benefit Cosmetics, pertencente ao grupo LVMH Profumi e Cosmetici Italia. As ações foram anunciadas na sexta-feira pela AGCM.
Segundo o comunicado, as investigações abrangem alegadas omissões de informação e engano com o objetivo de incentivar a compra de cosméticos por adultos e, principalmente, por crianças e adolescentes, incluindo menores de 10 a 12 anos. As inspeções ocorreram nos escritórios das empresas, com o apoio da Guardia di Finanza.
O fenómeno em foco é denominado cosmeertexia, que descreve a obsessão de menores pelos cuidados com a pele. A AGCM aponta para uma rápida expansão desta tendência, com jovens a usar maquilhagem e cremes caros, muitas vezes através de conteúdos partilhados em redes sociais.
As plataformas digitais aparecem como elemento central na investigação, já que as redes sociais facilitaram o surgimento de estratégias de marketing direccionadas a públicos jovens. A AGCM acusa as empresas de recorrer a micro-influenciadores para fomentar compras, explorando a vulnerabilidade deste grupo.
Especialistas destacam ainda que a ansiedade associada à idade pode levar meninas muito novas a usar produtos anti-envelhecimento. O tema envolve impactos na autoestima e pode ser agravado por ambientes familiares com pouca supervisão sobre o uso de telemóveis e redes sociais.
O inquérito ocorre numa conjuntura em que a permissividade parental é também apontada como fator contributivo. A AGCM não avançou detalhes sobre sanções ou prazos, limitando-se a referir que a investigação prossegue para apurar responsabilidades.
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