- Noventa concelhos foram declarados em calamidade após o comboio de tempestades que atingiu Portugal entre janeiro e fevereiro.
- Esses concelhos concentram 19% dos créditos destinados a empresas e famílias concedidos pelos bancos no país.
- O peso crescente de activos físicos, como estabelecimentos ou máquinas, nas empresas da região aumenta a exposição ao risco.
- O Banco de Portugal considera que estes créditos enfrentam vulnerabilidade adicional perante eventos climáticos.
Os créditos concedidos a empresas e famílias na região dos 90 concelhos em calamidade, após a passagem do mau tempo que afetou Portugal entre janeiro e fevereiro, representam 19% do total no país. O peso dos activos físicos fica mais evidente em estas áreas, onde estabelecimentos e máquinas são mais relevantes no balanço das empresas. O bojo das preocupações é a vulnerabilidade adicional face a eventos climáticos.
O dado surge num contexto em que o supervisor financeiro reconhece o impacto do cenário meteorológico na qualidade dos créditos. A região marcada pela calamidade tem concentrado a maior fatia de empréstimos concedidos, o que aumenta a exposição de bancos a eventuais incumprimentos. A avaliação decorre segundo as diretrizes do Banco de Portugal.
A análise centra-se na relação entre a natureza dos ativos e o risco climático. Em zonas com maior peso de activos físicos, a deterioração de condições económicas locais pode agravar a perceção de risco dos bancos. A instituição reguladora aponta para a necessidade de monitorização reforçada e de adequação de instrumentos de mitigação.
Contexto e perspetivas
A calamidade declarada abrange os municípios afetados pelo temporal. Os bancos seguem a acompanhar a carteira nessas áreas, com especial atenção aos sectores mais expostos. A gestão de risco envolve revisões periódicas das garantias e medidas de cumprimento financeiro por parte dos clientes.
O coordinador responsável sublinha que, apesar da vulnerabilidade, a dimensão dos empréstimos continua a refletir a realidade económica das zonas afetadas. Não há novas instruções específicas anunciadas, apenas um reforço da vigilância sobre a qualidade da carteira de crédito.
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