- A OCDE reduziu a previsão de crescimento da zona euro para 0,8% em 2026, com as maiores economias, Alemanha e França, também revistas em baixa para 0,8%.
- A inflação na zona euro é esperada em 2,6% em 2026, mais 0,7 pontos percentuais face à estimativa anterior, devido ao aumento dos preços da energia.
- A projeção de crescimento global mantém-se em 2,9% para este ano, mas o conflito no Médio Oriente pode elevar custos e pressionar a procura.
- O BCE pode subir as taxas de juro no próximo mês se a inflação exceder a meta de 2%, apesar de a presidente Christine Lagarde dizer que a zona euro está mais preparada.
- A OCDE prevê que, a partir de meados de 2026, os choques energéticos devem abrandar, mas alerta para incertezas e para riscos como o aumento do preço da ureia, que pode afetar colheitas em 2027.
A OCDE reviu em baixa a previsão de crescimento da zona euro para 2026, face ao aumento dos preços da energia devido ao conflito no Médio Oriente. A organização alerta para inflação mais alta no próximo ano, com impactos na procura e nos custos das empresas. O anúncio ocorreu esta quinta-feira.
A previsão de expansão da zona euro foi reduzida em 0,4 pontos percentuais, para 0,8%. Alemanha e França surgem com a mesma perspetiva de crescimento, também em 0,8%. A inflação na região é projetada em 2,6% em 2026, mais 0,7 ponto, enquanto o crescimento global fica estável em 2,9% para este ano.
A OCDE aponta que a escalada dos preços da energia e a incerteza do conflito no Médio Oriente elevam custos e abatem a procura. Mesmo com perspetivas de forte investimento tecnológico, as taxas de juros poderão subir para conter a inflação caso o BCE veja riscos para a meta de 2%.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou recentemente que a zona euro está mais preparada para absorver choques energéticos do que em 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia. A OCDE recorda que o crescimento mundial poderia ter sido 0,3 p.p. mais alto sem a escalada do conflito.
Os analistas destacam que as perturbações na energia devem abrandar a partir de meados de 2026, embora persista a incerteza associada à duração do conflito. A organização ressalva que, se os preços de energia permanecerem elevados, os custos empresariais e a inflação ao consumidor tendem a subir, limitando o crescimento.
Entre os destaques, a OCDE cita o preço da ureia, fertilizante fundamental, que subiu mais de 40% desde fevereiro e pode afetar rendimentos agrícolas em 2027. Nos EUA, o crescimento foi revisto para 2,0% em 2026, acima dos 1,7% projetados anteriormente para 2027, com a zona a enfrentar intercalares em novembro.
A China deverá crescer 4,4% este ano e 4,3% em 2027, com a OCDE a apontar como fatores o fim de subsídios ao consumo, a alta dos preços de importaçao energética e ajustes no setor imobiliário.
Para atenuar novos choques, a OCDE recomenda políticas de eficiência energética e redução da dependência de combustíveis fósseis, bem como acordos comerciais que reforcem a previsibilidade das políticas e o crescimento sustentável.
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