- Após oito anos de negociações, UE e Austrália assinam um acordo de comércio livre, com impacto em bens, minas e automóveis.
- Tarifa zero já na primeira linha para vinho, espumante, fruta, legumes e chocolates; queijo entra em três anos; Indicações geográficas passam a ficar protegidas.
- Automóveis europeus ganham acesso mais facilitado: o limiar do imposto sobre veículos elétricos sobe para 120 mil dólares australianos, abrangendo cerca de 75% dos EV produzidos na UE.
- Comércio de laticínios deve crescer até 48% segundo a Comissão Europeia; a UE exportou quase 400 milhões de euros em laticínios para a Austrália em 2025.
- Ossos de checar: o acordo elimina tarifas sobre minerais críticos (incluindo lítio) e sobre o hidrogénio, fortalecendo a parceria estratégica entre as duas partes.
Após oito anos de negociações difíceis e uma pausa em 2023, UE e Austrália chegaram a um acordo de comércio livre. O acordo foi assinado por Ursula von der Leyen e Anthony Albanese, em Canberra, a 24 de março de 2026. O objetivo é diversificar as trocas sem depender excessivamente da China.
O pacto elimina tarifas sobre grande parte dos bens entre as duas partes a partir do primeiro dia, com alguns setores a ter transições. A UE recebe acesso a mercados australianos para vinhos, espumante, queijos e outros, com ganhos previstos para o conjunto de exportações. A Austrália beneficia de maior entrada de produtos europeus.
Benefícios económicos diretos
Os produtores europeus vão ver reduções de custos, com o fim de restrições tarifárias em itens como vinho, frutas, chocolates e champanhe. Além disso, as indicações geográficas passam a ter proteção reforçada, assegurando a diferenciação de marcas emblemáticas.
Para o setor automóvel, o acordo representa uma via rápida: o limiar de aplicação do imposto sobre veículos elétricos sobe para 120 mil dólares australianos, tornando cerca de 75% dos EV produzidos na UE livres de taxação. As exportações de veículos europeus podem aumentar, segundo a Comissão Europeia.
Minerais críticos e energia
O acordo elimina tarifas sobre minerais críticos australianos, incluindo lítio e manganês, essenciais para baterias e tecnologia avançada. A UE pretende diversificar fornecedores para reduzir dependência de qualquer único país, incluindo a China.
Também há um benefício no comércio de hidrogénio: tarifas sobre hidrogénio australiano são removidas, contribuindo para substituir gás natural russo com energia limpa, alimentada por renováveis no território australiano.
Agricultura e relações setoriais
Aberturas em agricultura geram controvérsia: a carne de bovino australiana passa a ter quota maior ao longo de uma década. Organizações europeias temem impactos na produção interna, com salvaguardas permitidas caso haja desequilíbrio setorial.
Para o setor lácteo, a UE prevê aumento de exportações de queijos, manteiga e leites em pó, com potencial de até 48% em certos fluxos. A proteção de indicações geográficas é destacada como ganho relevante pelo setor.
Perspetivas e próximos passos
Em termos estratégicos, o acordo reforça a busca europeia por acordos comerciais que gestionem riscos geopolíticos e fortaleçam alianças, especialmente face a uma China assertiva. O próximo desafio é a ratificação pelos parlamentos nacionais.
Espera-se que os exportadores da UE poupem mais de 1 mil milhões de euros anuais em direitos e que as exportações para a Austrália aumentem substancialmente nos próximos anos. O ramo agrícola manterá monitorização estreita para eventuais contestação.
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