- O Banco de Portugal aponta que a prestação de crédito à habitação ultrapassa 40% do rendimento mediano das famílias, dificultando a compra de casa em Portugal.
- O rácio prestação/rendimento subiu a 53% no último trimestre de 2023 e situou-se em 48% nos três primeiros trimestres de 2025; entre 2009 e 2021 ficou abaixo de 30%.
- Entre 2019 e 2023, a prestação mensal aumentou de 350€ para 855€, refletindo subida de preços e de juros; em 2023, 104 dos 294 municípios analisados ultrapassavam o limiar de 40%.
- Em Lisboa, a prestação para uma casa de área mediana subiu de 907€ (2019) para 1.811€ (2023), correspondendo a uma taxa de 102% do rendimento mediano; no Porto, a prestação passou de 550€ para 1.339€ (84%).
- No arrendamento, a renda da casa mediana em relação ao rendimento mediano subiu de 36% (2019) para 47% (início de 2025; erosão maior no litoral), com a renda mensal mediana a aumentar de 1.001€ para 1.274€ entre 2019 e 2023.
O Banco de Portugal (BdP) divulga um estudo sobre a acessibilidade à habitação em Portugal, com foco no peso da prestação de crédito à habitação face ao rendimento mediano. O relatório atualiza indicadores de acesso por crédito e por arrendamento, com dados até o terceiro trimestre de 2025.
Entre 2019 e 2023, o indicador de acessibilidade aumentou significativamente, com o peso da prestação mensal a duplicar. A subida de preços das casas e o aumento das taxas de juro contribuíram para este sobrepeso sobre o rendimento mediano.
A partir de 2022, o rácio prestação/rendimento começou a subir, atingindo 53% no último trimestre de 2023. No entanto, os três primeiros trimestres de 2025 registaram uma diminuição, para 48%.
Em números históricos, o peso da prestação era inferior a 30% entre 2009 e 2021, antes de o indicador ganhar força novamente. O BdP considera que acima de 40% há sobrecarga para uma família de rendimento mediano.
Acesso por região e cidades principais
A análise mostra que o litoral concentra as maiores dificuldades, com Lisboa e o Porto a registarem os maiores pilares de acessibilidade. Em Lisboa, a prestação mensal para uma casa mediana subiu de 907 euros (2019) para 1.811 euros (2023), o que representa uma taxa de esforço teórica de 102% para uma família mediana.
No Porto, a prestação passou de 550 para 1.339 euros, equivalendo a 84% do rendimento mediano. Os autores sublinham que apenas as famílias com rendimentos mais elevados conseguem aceder a uma casa mediana nas duas maiores cidades.
Perspetivas nacionais e de arrendamento
Em alguns municípios do Algarve, tornar a casa acessível é praticamente impossível. O estudo conclui que a compra só é viável para famílias com elevado poder de poupança ou residentes no estrangeiro, com apenas 30% das famílias aptas a suportar uma prestação acima de 40%.
No arrendamento, as dificuldades mantêm-se. O rácio entre renda de uma casa mediana e rendimento mediano subiu de 36% (2019) para 47% no início de 2025, refletindo a subida dos arrendamentos.
Dados adicionais e contexto
A análise aponta disparidades regionais, com o litoral a enfrentar escassez de oferta face ao aumento da procura. Entre 2019 e 2023, a renda mensal mediana subiu de 1.001 para 1.274 euros, elevando o peso no rendimento mediano para 72% e 66% no Porto.
O estudo recorda ainda que o índice de preços na habitação aumentou 140% entre 2016 e 2025, e que, no período 2019-2025, houve um crescimento de cerca de 65% no rendimento mediano por metro quadrado.
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