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Guerra no Irão empurra Europa para crise de estagflação

A guerra no Médio Oriente eleva custos e perturba abastecimentos, empurrando a zona euro para estagnação do crescimento e inflação em ascensão

Um carro entra numa estação de serviço enquanto os preços da gasolina são exibidos em Paris, segunda-feira, 9 de março de 2026
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  • A guerra com o Irão aumenta custos e acelera a inflação na zona euro, apontando para estagflação segundo o PMI preliminar de março.
  • O PMI compósito da zona euro ficou em 50,5, abaixo de fevereiro, com o crescimento fraco e custos de produção nos níveis mais altos em quase três anos.
  • Serviços estagnaram praticamente, enchendo as preocupações com a desaceleração e com atrasos na cadeia de suprimentos devido ao aumento dos custos de energia e perturbações no transporte.
  • A Alemanha ainda cresceu, mas com sinais de fragilidade, enquanto a França entrou em contração, refletindo o impacto externo sobre a atividade económica.
  • O recuo do crescimento e a aceleração da inflação complicam a política do Banco Central Europeu, levantando dúvidas sobre o alcance de respostas monetárias claras no curto prazo.

O Irão está a intensificar o choque geopolítico que já empurra a Europa para a estagflação. A escalada de preços do petróleo, associada a perturbações no transporte e a custos de energia em alta, começa a reduzir a atividade económica na zona euro. A recuperação parece abrandar, enquanto a inflação se mantém elevada.

Dados preliminares do PMI da S&P Global indicam queda de dinamismo na zona euro em março, com custos de produção no nível mais elevado em mais de três anos. A inflação dos fatores de produção acelera, após o choque energético ligado ao conflito no Médio Oriente.

O PMI compósito da zona euro ficou em 50,5, o pior em dez meses e abaixo de fevereiro. O indicador aponta para uma margem de crescimento muito estreita, com pressões de custo a sobreporem-se à estagnação de atividade.

A inflação associada aos custos de fatores acelera para perto de 3%, agravando o dilema do BCE. A combinação de menor crescimento e maior inflação caracteriza uma estagflação pela primeira vez em anos, segundo analistas.

A zona euro vê o setor de serviços como principal travão: novas encomendas recuam e a confiança enfraquece. A produção industrial, porém, mantém alguma resiliência, apoiada por compras antecipadas para evitar perturbações.

A logística acusa atrasos generalizados: cadeias de abastecimento mostram sinais de constrangimento, com fornecimentos mais lentos e custos de expedição em alta. O stock de insumos continua a reduzir-se, refletindo dificuldades de subsistência.

Na Alemanha, o PMI compósito situa-se em 51,9, com a indústria a crescer no ritmo mais rápido em mais de quatro anos. A indústria transformadora atinge 51,7, impulsionada pela antecipação de compras para enfrentar perturbações.

Apesar disso, o segmento de serviços alemão mostra fragilidade, com menor volume de negócios e custos mais altos. A incerteza de consumidores e empresas agrava as pressões de custos e pode limitar a recuperação.

Em França, o cenário é mais pessimista, com o PMI compósito em 48,3. Produção industrial e serviços encolhem, refletindo menor procura e incerteza ligada a governos locais e ao conflito externo. As encomendas externas também recuam.

A pressão de custos em França atinge níveis elevados, sublinhando uma recuperação frágil que pode atrasar a normalização económica. A inflação associada aos custos de produção cresce, complicando margens das empresas nacionais.

Para o BCE, os dados de março mantêm-se desafiantes. Com o crescimento próximo da estagnação e a inflação alimentada por choques de oferta, as opções de política monetária tornam-se menos claras, apesar dos riscos de estabilidade.

O consultor da S&P Global, Chris Williamson, alerta para sinais de estagflação já emergentes na Europa. A rápida evolução do preço da energia e a incerteza de abastecimento podem prolongar o período de desaceleração.

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