- A Euribor a seis meses abriu a semana acima de 2,5%, enquanto a de 12 meses chegou perto de 3%, em resposta a pressões sobre a inflação derivadas do aumento dos preços de energia.
- O mercado antecipa subida das taxas diretoras do BCE, o que pode levar à subida das prestações de crédito à habitação com taxa variável a partir de abril, e possivelmente nos meses seguintes.
- O que sustenta a escalada é a intensificação da tensão no Irão e o subsequente impacto nos preços do petróleo e do gás natural.
- No mercado de futuros, o contrato a três meses com vencimento em junho já aponta para 2,57%, subindo face a semanas anteriores.
- Dados do BdP indicam que, no início do ano, a Euribor a seis meses já estava presente em 38,93% do stock de empréstimos para habitação com taxa variável, com a Euribor a doze meses em subida para 2,929%.
A Euribor continua a subir, com impactos diretos nas nossas contas. A taxa a seis meses já ultrapassou os 2,5% e a a 12 meses aproxima-se dos 3%. O contexto é marcado pela subida dos preços do petróleo e do gás, após o agravamento da tensão no Irão, o que deve influenciar as decisões do BCE.
O mercado antecipa novas subidas da taxa diretora pelo Banco Central Europeu (BCE) para conter a inflação. Dessa forma, os empréstimos à habitação com taxa variável devem ver aumentos já a partir das revisões de Abril, com provável agravamento nos meses seguintes.
A Euribor a três meses fechou hoje em 2,178%, subindo 0,049 pontos. Este ajustamento ocorre num cenário de instabilidade geopolítica, mantendo-se a evolução influenciada pela perceção de potenciais aumentos de juros no BCE no final do primeiro semestre.
Impacto nos empréstimos
A Euribor a seis meses acelerou para 2,589%, sobe 0,121 pontos, o maior valor diário desde janeiro de 2025. O indicador está acima de 2,128% registados a 27 de Fevereiro, antes do agravamento da tensão entre EUA, Irão e aliados.
Dados do BdP mostram que, no início do ano, a taxa a seis meses figurava em 38,93% do stock de empréstimos à habitação com taxa variável. A 12 meses, o índice já está em 31,78% da carteira de contratos ligados a Euribor.
Antes da ofensiva militar no Irão, a Euribor a 12 meses situava-se em 2,227%, tendo subido 0,70 pontos percentuais em pouco mais de três semanas. O mercado de futuros indica que o contrato de Junho para Euribor a 3 meses já está a 2,57%.
A mudança nas taxas implica revisões mensais dos empréstimos. A atualização de Abril poderá ser a primeira em dois anos a refletir o aumento das prestações a vários prazos, especialmente nos ligados à Euribor a 12 meses.
Perspetivas do BCE
A próxima reunião de política monetária do BCE ocorre a 29 e 30 de Abril. É esperada uma possível subida das taxas diretoras, na continuidade da estratégia de conter a inflação, que tem sido pressionada pelos custos energéticos.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que o órgão está calmo, determinado e focado nos dados que surgirem. A evolução das condições macroeconómicas continuará a ditar o ritmo de eventuais ajustamentos.
Contexto operativo
As Euribor são definidas pela média das taxas a que 19 bancos da zona euro estão dispostos a emprestar entre si no mercado interbancário. A subida geral das margens reflete, principalmente, a expectativa de novas subidas dos juros pelo BCE.
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