- A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viaja a Sydney e Canberra de 23 a 25 de março para fechar um acordo de comércio livre entre a UE e a Austrália.
- As negociações estão na fase final depois de terem sido interrompidas em 2023, principalmente por questões relativas ao acesso ao mercado da carne bovina — a UE ofereceu quotas de 30 mil toneladas, abaixo do pedido australiano de 40 mil.
- O acordo poderá diversificar os laços comerciais da UE num contexto de tensões globais e da rivalidade com a China, com ênfase em acesso a matérias-primas como lítio, cobalto, terras raras e hidrogénio.
- A UE já assinou acordos com Índia, México, Suíça e Indonésia, e um entendimento com a Austrália reforçaria a presença europeia no Indo-Pacífico.
- Von der Leyen afirmou que eliminar barreiras comerciais facilitará o acesso a matérias-primas na Austrália, destacando o acordo como uma vitória para a UE.
A Comissão Europeia anunciou que a presidente Ursula von der Leyen vai visitar a Austrália de 23 a 25 de março, com o objetivo de concluir um acordo de comércio livre entre a UE e Canberra. A deslocação ocorre numa fase decisiva das negociações, que entraram na reta final após anos de contactos entre Bruxelas e Camberra.
O foco principal é o acordo de comércio entre a UE e a Austrália, visto como ferramenta para diversificar os laços comerciais da União. A visita pretende reforçar laços com um parceiro considerado de confiança numa região estrategicamente vital do Indo-Pacífico, onde a UE procura reduzir dependências e ampliar o acesso a mercados.
Carne e minerais
A agricultura tem sido um dos pontos de discórdia, com quotas para carne bovina entre 30 mil e 40 mil toneladas a gerar negociação. Em 2023 as negociações tinham ficado interrompidas devido à exigência australiana de maior acesso ao mercado de carne. As conversas reabriram no ano passado, em contexto de tensões comerciais globais.
Além da carne, o acordo pode abrir espaço para matérias-primas essenciais na Austrália, incluindo lítio, cobalto, terras raras e hidrogénio. A Comissão sinaliza que o comércio pode avançar com maior liberdade de acesso a esses recursos, dentro de um acordo já numa fase final.
Perspetivas e contexto regional
O anúncio destaca que o mundo procura negociar com a Europa, num momento em que a UE já fechou acordos com Índia, México, Suíça e Indonésia. Von der Leyen descreveu a trajetória de negociações como uma oportunidade de ampliar a presença europeia numa das regiões econômicas mais dinâmicas.
A deslocação a Sydney e Canberra acontecerá numa altura em que os EUA têm aplicado tarifas generalizadas a parceiros globais, o que tem impulsionado a UE a reforçar alianças e acordos comerciais. A presidente mantém as negociações como prioridade, sublinhando a importância estratégica da região.
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