- As exportações portuguesas de bens com utilização militar têm crescido desde 2022, com a Ucrânia a ganhar peso entre os destinos.
- O crescimento acumulado até 2025 é de cerca de 77%, acima da taxa do total das exportações portuguesas.
- As aeronaves não tripuladas passaram de inexistentes em 2021 para representar 18% e 21% do total em 2024 e 2025, respetivamente.
- A Ucrânia passou a responder por perto de 12% das exportações em 2025, subindo de 5% no período 2021-2025.
- Apesar do dinamismo, o peso total dessas exportações continua abaixo de 1% do total, com armas de fogo e suas componentes a responderem por quase metade do total, e os EUA a serem o principal destino (41%).
A análise do Banco de Portugal mostra que as exportações portuguesas de bens com utilização militar estão a subir desde 2022, com drones e Ucrânia a ganharem peso. Mesmo assim, o peso destes bens no total das exportações continua abaixo de 1%. Esta evolução ocorre num contexto de reforço das capacidades militares em vários países.
Entre 2022 e 2025, o crescimento agregado desta classe de produtos foi de cerca de 77%, superior ao desempenho do conjunto das exportações nacionais. A principal força de impulso veio das aeronaves não tripuladas, que eram inexistentes em 2021 e passaram a representar 18% e 21% do total em 2024 e 2025, respetivamente.
Ucrânia ganha protagonismo entre os destinos
As exportações para a Ucrânia têm vindo a apresentar peso crescente, passando de 5% no período 2021-2025 para perto de 12% em 2025. Este dinamismo assenta na aquisição de bens militares adaptados a conflitos em curso, com empresas nacionais a contribuírem para o reforço de capacidades.
Os drones emergem como segmento decisivo, enquanto o tipo de bens com maior expressão permanece o armamento de fogo e componentes, que representa quase metade do total. O principal destino continua a ser os EUA, com 41% do total.
A OesteEuropa e o restante da UE apresentam menor dinamismo, apesar de potenciais crescimentos ligados ao esforço europeu de defesa. Em Portugal, a presença de unidades como a Browning, em Viana do Castelo — controlada pela FN Herstal — sustenta a produção para exportação, sobretudo para os EUA.
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