- Os mercados europeus registaram uma queda, cerca de sete por cento, desde o início das hostilidades no Irão, com quedas de seis a sete por cento nos principais índices.
- O Brent disparou de cerca de setenta para perto de cento e vinte dólares por barril nos dias iniciais, mantendo-se em torno de cento e cinco dólares na terça-feira, uma subida relevante face aos níveis pré-guerra.
- A Agência Internacional de Energia organizou a libertação de quarenta milhões de barris de reservas de emergência, envolvendo mais de trinta países, a maior operação em cinquenta anos, embora os preços do crude continuem elevados.
- Vencedores: produtores europeus de energia e gás, como Equinor, Vår Energi, Aker BP, Eni e Galp Energia, além de biocombustíveis como Verbio e Neste; o setor de fertilizantes também valorizou.
- Perdedores: companhias aéreas com custos de combustível elevados (Wizz Air, Air France-KLM, easyJet), siderurgias (Salzgitter, thyssenkrupp, ArcelorMittal) e construtoras com exposição aos impactos energéticos (Técnicas Reunidas, Webuild), entre outros.
Desde o início da guerra no Irão, há 18 dias, o mercado global enfrenta lucros apertados e quedas acentuadas, com uma clara separação entre empresas que lucram com energia cara e aquelas esmagadas por custos elevados.
Os índices europeus registaram perdas relevantes: Euro STOXX 50 (-6,5%), DAX (-7%), CAC 40 (-7,2%) e FTSE MIB (-6,4%). O S&P 500 caiu 2,5%, beneficiando da liderança mundial no petróleo e de proteções relativamente maiores frente a choques.
A crise energética redefiniu o continente. O fechamento do estreito de Ormuz elevou o Brent de 70 para perto de 120 USD por barril. Nesta terça-feira, o Brent ficou próximo dos 105 USD, após subida de 42% desde o início do conflito.
Choque energético e respostas
Para conter a escalada, a IEA coordenou uma intervenção histórica: mais de 30 países libertaram 400 milhões de barris de reservas de emergência, a maior operação em 50 anos. Mesmo assim, o preço do crude subiu acima de 17% desde o anúncio.
O gás natural também disparou: o índice TTF holandês subiu 60%, para 52 EUR/MWh. Analistas de energia alertam para desequilíbrios que podem manter preços elevados por mais tempo.
Vencedores estratégicos
Entre as empresas que ressentem menos o choque, destacam-se produtores de petróleo e gás europeus. Equinor subiu 23,7% desde o início do mês, seguida pela Vår Energi (19,9%) e Aker BP (17,1%).
Biocombustíveis registam fortes ganhos: Verbio (+30,4%) e Neste (+28,1%). A procura por fontes alternativas aumenta face aos custos crescentes de combustíveis fósseis.
A Uniper avançou 19,1%, refletindo esforços de redução da dependência energética da Rússia. No setor de fertilizantes, K+S ganhou 15,3% e Yara International, 15%.
Perdedores de peso
As empresas com grandes exposições a energia sofreram perdas acentuadas. A Wizz Air caiu 31,2%, a Air France-KLM desceu 22,1% e a easyJet recuou 21,8%.
Os produtores de aço também registaram quedas significativas: Salzgitter (-27,9%), thyssenkrupp (-27,3%) e ArcelorMittal (-19,1%). A Aperam recuou 24,5%.
Outros efeitos setoriais
A empresa de engenharia Técnicas Reunidas caiu 23,7% face à exposição a projetos no Médio Oriente, agora questionados. Webuild perdeu 26,6%, refletindo receios sobre investimentos em infraestruturas na Europa.
A Hochschild fechou em queda de 21%, com margens pressionadas pelo aumento dos custos energéticos, reduzindo o apetite de risco em mineradoras menores.
Perspetivas para o futuro
A Europa permanece vulnerável a choques de oferta de energia, apesar de reduzir a dependência do gás russo. Os níveis de armazenamento de gás no início de 2026 são menos robustos do que em anos anteriores, apontam analistas.
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