- Nos últimos anos, a entrada de jovens altamente qualificados no mercado de trabalho tornou-se mais desafiadora, com a taxa de desemprego jovem (menos de 25 anos) em 2025 a 21,9% e mais de 73 mil jovens desempregados num universo de cerca de 380 mil ativos.
- Em 2024, após um ano de desemprego, a taxa jovem mantinha-se em 18,2%, e apenas 11,1% dos jovens com menos de 25 anos estavam inscritos no IEFP nesse ano.
- Entre 2021 e 2024, apenas 55% dos estágios do IEFP resultaram em contrato de trabalho, o que aponta para precariedade no início de carreira.
- Muitos jovens aceitam empregos fora da área de formação ou em condições de precariedade, refletindo a perceção de falta de oportunidades qualificadas e o debate sobre o chamado pleno emprego.
- O contexto económico atual, com custo de vida elevado, investimento internacional contido e resistência de parte do tecido empresarial em contratar jovens, complica a integração de quadros jovens e exige políticas concretas.
Nos últimos anos, a entrada de jovens qualificados nas áreas em que se formaram tornou-se uma corrida com obstáculos. O desafio não está apenas no talento, mas no acesso a empregos que correspondam às qualificações.
Em Portugal, a ideia de pleno emprego é tema de debate, mas a realidade é mais complexa. Muitos jovens concluem o ensino superior e confrontam um mercado que não garante vínculos estáveis desde o início da carreira.
Segundo o INE, a taxa de desemprego jovem (menos de 25 anos) situou-se em 21,9% em 2025, acima de 20% desde 2018. Milhares continuam sem ocupação, num universo superior a 380 mil.
De acordo com a Pordata, mais de 73 mil jovens estavam desempregados em 2025, com desemprego que persiste após um ano (18,2% em 2024). Apenas 11,1% dos jovens abaixo dos 25 estavam inscritos no IEFP em 2024.
Olhando para os estagiários, o IEFP tem mostrado que os estágios ajudam a entrada no mercado, mas não asseguram contratos a longo prazo. Entre 2021 e 2024, apenas 55% dos estágios resultaram em vínculo estável.
Em debates públicos e redes sociais, muitos diplomas não se traduzem imediatamente em oportunidades de trabalho qualificado. Histórias de jovens que aceitam empregos fora da área ilustram a dificuldade atual.
Caso ilustrativo: Ana, 24 anos, licenciada em Marketing e mestre em Gestão, passou seis meses à procura de emprego na sua área. Aceitou um posto com requisitos mínimos de secundário.
Este cenário alimenta dúvidas sobre o impacto real da formação superior no mercado de trabalho. O custo de vida elevado, investimento cauteloso e resistência de parte do tecido empresarial reforçam a complexidade.
Perante este quadro, surgem perguntas sobre reformas laborais e políticas de integração. A meta é reduzir a distância entre qualificação e oportunidade, mantendo o talento jovem em Portugal.
Contexto económico e políticas
A valorização do talento jovem continua a ser tema central para o desenvolvimento do país. A necessidade de respostas pragmáticas contrasta com relatos de precariedade no início de carreira.
Casos e perspetivas
As experiências de estágios, caminhos de carreira e escolhas profissionais evidenciam a diversidade de realidades entre diplomados. O desafio permanece: como ligar currículo a oportunidade estável?
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